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    Militares dos EUA que impediram ataque em trem na Bélgica são condecorados

    AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

    22/08/2015 07h59

    Philippe Huguen/AFP
    Polícia inspeciona trem onde jovem abriu fogo e foi contido por dois militares americanos em licença
    Polícia inspeciona trem onde jovem abriu fogo e foi contido por dois militares americanos em licença

    O governo francês ainda tenta identificar o autor dos disparos em um trem que fazia o trajeto entre Paris e Amsterdã (Holanda).

    O suspeito se identificou à polícia como Ayoub El Kahzani, um marroquino de 26 anos. Segundo a rede BFM TV, essa identidade corresponde com a de um homem que consta na ficha dos serviços secretos franceses por possível vinculação com grupos terroristas.

    Imagem do Twitter mostra passageiro no chão do trem

    Esta ficha foi elaborada, segundo o canal, porque a Espanha, onde residiu o suspeito entre 2013 e 2014, tinha informado à França do acompanhamento do qual tinha sido alvo, em particular por ser assíduo frequentador de uma mesquita considerada fundamentalista.

    Segundo o jornal "El País", agentes espanhóis de combate ao terrorismo informaram que o jovem, taxado como radical, viajou para a Síria.

    Para a polícia, o jovem negou qualquer intenção terrorista e disse que pretendia assaltar o trem.

    Ao se manifestar sobre o caso, o premiê belga, Charles Michel, denominou o incidente de "ataque terrorista".

    "Condeno o ataque terrorista em Thalys e declaro minha solidariedade às vítimas", escreveu Michel em sua conta no Twitter.

    O homem foi transferido neste sábado à sede da Subdireção Antiterrorista da Polícia nos arredores da capital francesa. Ele foi detido na estação de Arras, para onde foi desviado o trem.

    Segundo a investigação preliminar, o atirador subiu no trem de alta velocidade em Bruxelas carregado com bolsas nas quais tinha duas armas automáticas (um fuzil kalashnikov e uma pistola), nove carregadores e várias armas brancas.

    Ele foi contido por militares americanos que estavam de licença. Os militares conseguiram rendê-lo, mas um deles levou um tiro no peito e está em estado muito grave. Outro sofreu vários cortes de uma arma branca ainda não identificada.

    HERÓIS

    O prefeito da cidade de Arras, Frédéric Leturque, disse neste sábado que um passageiro francês foi atingido por um tiro no pescoço e está em estado grave, embora não corra risco de morte.

    Leturque condecorou na noite desta sexta-feira (21) os dois americanos por sua ação para neutralizar o ataque, que, segundo as testemunhas, evitou um grande massacre. O trem foi desviado para a estação de Arras para que o autor pudesse ser capturado pela polícia.

    Em entrevista à emissora CNN e divulgada amplamente pela imprensa francesa, um deles, identificado como Alex Skarlatos, contou que primeiro escutou "disparos e vidros quebrados". "Não me dei conta imediatamente do que ocorria, até que olhei para trás e vi entrar no vagão um homem com uma AK-47", disse.

    Junto ao amigo Spencer Stone, eles atacaram o atirador. O suposto terrorista também feriu Stone, mas Skarlatos conseguiu recuperar a arma. Ambos conseguiram golpear o autor do ataque até que ele ficasse inconsciente.

    Damian, um passageiro francês de 35 anos, descreveu como o homem "com uma camisa verde e cabelo raspado (militar americano) se atirou sobre o outro e o imobilizou no chão".

    Christina Cathleen Coons, americana de 28 anos, contou que ouviu "tiros, dois sem dúvida, e um cara caiu". "Havia sangue por todo lado".

    Também nesta sexta, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, agradeceu aos dois soldados pelo que classificou de ato "heroico" que pode ter evitado "uma tragédia muito pior".

    Obama, que está de férias, foi informado sobre o ocorrido e transmitiu suas condolências às vítimas do ataque, aos quais desejou uma "pronta e completa" recuperação.

    O líder americano também expressou "profunda gratidão" pela "coragem e rapidez de pensamento de vários passageiros, incluindo os dois militares, que imediatamente renderam o agressor".

    "Embora a investigação ainda esteja em fase preliminar, está claro que suas ações heroicas podem ter evitado uma tragédia muito pior", concluiu Obama.

    ATAQUE

    O trem, com 554 passageiros, seguia de Amsterdã para Paris, mas o incidente ocorreu no território belga.

    De acordo com a companhia Thalys, subsidiária da SNCF, o serviço ferroviário francês, "às 17h50 (12h50 Brasília) uma pessoa abriu fogo no Thalys 9364 (Amsterdã-Paris) na altura de Oignies (Haute Picardie)".

    "Nós estávamos no trem e percebemos que ele começou a diminuir a velocidade ao se aproximar de Arras. Trinta minutos depois, ele parou completamente. Uma vez na estação, ficamos 15 minutos bloqueados. Em seguida, houve uma mensagem nos dizendo que a polícia estava a caminho", relataram à AFP Maxime Vialat e Charlotte Bosse, de 20 anos.

    Desde os ataques de 7 de janeiro contra a redação da revista satírica Charlie Hebdo e um supermercado kosher em Paris, que matou 17 pessoas, um plano de luta contra o terrorismo foi criado em todos os locais públicos e considerados sensíveis.

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