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    Turquia intercepta avião russo que invadiu espaço aéreo em ação na Síria

    DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

    05/10/2015 09h19

    A Turquia informou nesta segunda-feira (5) que interceptou um avião militar russo que teria violado o espaço aéreo turco perto da fronteira com a Síria enquanto fazia ataques contra o Estado Islâmico.

    A invasão acontece cinco dias depois que Moscou começou a bombardear alvos da milícia radical e de rebeldes no país árabe, que há quatro anos enfrenta uma guerra civil.

    Reuters
    Imagem do Ministério da Defesa russo mostra um dos locais atacados pelas forças do país na Síria
    Imagem do Ministério da Defesa russo mostra um dos locais atacados pelas forças do país na Síria

    Segundo o Ministério das Relações Exteriores turcas, a invasão ocorreu ao meio-dia de sábado (6h em Brasília) na província de Hatay. Dois caças F-16 turcos interceptaram o avião russo, que retornou seis minutos depois à Síria.

    A invasão foi confirmada pela Rússia na tarde desta segunda-feira (5). O porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, disse que o caça adentrou o território turco por "um curto espaço de tempo, por alguns segundos" devido às condições meteorológicas na região.

    Devido à entrada da aeronave sem autorização, a Turquia convocou nesta segunda o embaixador russo em Ancara, Andrei Karlov, para fazer um protesto formal e pedir que não ocorram novas invasões.

    No sábado, as autoridades turcas haviam comunicado o fato ao chanceler russo, Serguei Lavrov, e a quatro países da Otan —Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália e Alemanha.

    O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, disse ter recebido o pedido de desculpas russo. "O que fomos informados pela Rússia é que foi um erro que não voltará a acontecer. Nós tomaremos todas medidas necessárias contra qualquer um que viole as fronteiras da Turquia, mesmo que seja um pássaro."

    Por outro lado, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, disse que a acusação turca é investigada pelos russos. "As informações estão sendo analisadas ainda, logo não posso dar certeza de nada neste momento."

    As arnas de Putin

    BOMBARDEIOS

    Assim como outros membros da Otan, a Turquia se opõe ao regime de Bashar al-Assad, aliado russo. No domingo, o presidente Recep Tayyip Erdogan pediu que Moscou parasse de atacar os rebeldes que querem derrubar o ditador.

    "Assad comete terrorismo de Estado e infelizmente você vê a Rússia e o Irã em sua defesa. Estes dois países que colaboram com o regime serão cobrados por isso na história", disse Erdogan, em visita à França.

    Apesar de fazer parte da coalizão americana contra o Estado Islâmico, a Turquia provoca críticas de seus parceiros por atacar grupos curdos. Os combatentes da minoria étnica lutam contra a milícia na Síria e no Iraque.

    Os ataques russos começaram na semana passada, atingindo regiões dominadas por rebeldes moderados contrários a Assad. As ações ocorreram para fortalecer áreas controladas pelo regime sírio.

    Depois, os bombardeios chegaram a regiões dominadas pelo Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, vinculada à rede terrorista Al Qaeda. As duas milícias são alvos também da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

    Nesta segunda, o Ministério da Defesa russo informou que seus caças bombardearam nove alvos do Estado Islâmico nas províncias de Hama, Homs, Idlib e Latakia nas últimas 24 horas.

    Porém, das regiões mencionadas, a facção está apenas em Homs, segundo a organização americana Instituto para Estudos da Guerra. As outras três têm presença da Frente al-Nusra e de grupos rebeldes moderados.

    O mapa na guerra da Síria

    A Otan convocou uma reunião para discutir a invasão. Na Espanha, o secretário de Estado americano, Ashton Carter, voltou a criticar a Rússia por atacar os combatentes da oposição síria. "Por intervir militarmente na Síria contra alvos de grupos moderados, a Rússia fez crescer a guerra civil."

    O grupo rebelde moderado Ansar al-Sham pediu união das facções que se opõem a Assad para combater contra a Rússia e o Irã. Por outro lado, Moscou recebeu nesta segunda o apoio de milícias xiitas iraquianas, que fazem parte das forças contra o Estado Islâmico.

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