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    Familiares separados pela Guerra da Coreia se reencontram após 60 anos

    DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

    20/10/2015 13h14

    Cerca de 800 sul-coreanos e norte-coreanos voltaram a se encontrar nesta terça-feira (20) com seus parentes separados pela Guerra da Coreia (1950-1953). Quase todos eles nunca se viram pessoalmente depois do fim do conflito, há 62 anos.

    Iniciados em 2000, os encontros são um raro ponto de concordância entre o regime comunista e as autoridades capitalistas do sul. As visitas são disputadas por milhares de pessoas e são poucas as que conseguem participar.

    Do lado sul-coreano, a preparação dos visitantes foi feita na cidade de Sokcho, no leste do país. Por lá, os familiares, em sua maioria maiores de 70 anos, recebiam a assistência de médicos e psicólogos antes de seguir para a fronteira.

    O primeiro comboio de ônibus deixou a cidade pela manhã (noite de segunda em Brasília) em direção ao Monte Kumgang, do lado norte-coreano. Lá, as famílias terão três dias de encontros com seus familiares norte-coreanos.

    A primeira sessão foi pela tarde. Foi quando Lee Jeong-Sook, 68, se encontrou com seu pai, Ri Hong-Jong, 88, a quem havia visto pela última vez quando tinha apenas dois anos. Ri não conteve as lágrimas ao ver sua irmã mais nova, tia de Lee.

    "É sua filha, é sua filha", disse a irmã a Ri Hong-Jong, que depois da emoção inicial perguntou pelo resto da família."Quase todos morreram", respondeu sua irmã.

    Uma multidão de fotógrafos e jornalistas cercou o casal Lee Soon-kyu, 85, e Oh In-se, 83. A sul-coreana Lee não via o marido Oh, que mora na Coreia do Norte, desde o fim da guerra, quando ele estava no Exército norte-coreano.

    As fortes emoções vêm em parte do reencontro entre os familiares e, por outro lado, do reconhecimento de que não poderão mais se ver. Nenhuma das famílias têm direito a uma segunda reunião e as comunicações entre os dois lados são proibidas.

    SORTEIO

    Do lado sul-coreano, as famílias são escolhidas por meio de uma loteria, que cruza dados dos candidatos e dá preferência aos mais velhos. Depois, as pessoas são submetidas a exame médico e psicológico antes de cruzar a fronteira.

    A avaliação do regime norte-coreano leva em consideração, além da proximidade dos candidatos com a ditadura. A reunião tem extensa cobertura da imprensa e serve também para que os norte-coreanos façam propaganda de suas autoridades.

    Durante três dias, os sul-coreanos verão seus parentes do Norte em seis ocasiões, de forma privada e publicamente. Cada encontro durará apenas duas horas, o que significa que terão no total 12 horas após mais de 60 anos de separação.

    Pela contagem sul-coreana, a metade dos 130.410 candidatos morreu na fila de espera antes de conseguir rever seus entes queridos. De todos, 18.800 puderam se encontrar pessoalmente e outros 3.750 foram se reuniram em videoconferências.

    A partir de sábado (24), haverá uma segunda rodada de reuniões. Segundo o Ministério da Unificação sul-coreano, cerca de 250 cidadãos do país seguirão para o Monte Kumgang para se reencontrarem com 190 norte-coreanos.

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