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    Congresso cubano reelege Raúl Castro e frustra expectativas sobre sucessor

    MARCELO NINIO
    DE WASHINGTON

    19/04/2016 15h10 - Atualizado às 22h46

    Emilio Herrera/Xinhua
    (160419) -- HAVANA, April 19, 2016 (Xinhua) -- Delegates attend the 7th congress of the Cuban Communist Party in Havana April 18, 2016. (Xinhua/Emilio Herrera/Prensa Latina) (rtg)
    Delegados comparecem ao 7º Congresso do Partido Comunista cubano, em Havana

    Raúl Castro, 84, deixará a Presidência de Cuba em 2018, mas continuará a comandar o país. O ditador foi ratificado como líder do Partido Comunista para um segundo mandato de cinco anos.

    Outros veteranos mantiveram suas posições na hierarquia política, frustrando expectativas de quem esperava do 7º Congresso do PC, encerrado nesta terça (19), pistas sobre a sucessão em 2018.

    A renovação na cúpula foi pequena, adiando para os próximos anos a troca de guarda no topo do regime.

    O cuidado em não fazer movimentos bruscos marcou o congresso do partido, que aprovou a continuidade das medidas de abertura econômica aprovadas em 2011. No balanço do próprio governo, só 21% dessas reformas foram totalmente implementadas.

    A grande expectativa era que surgissem indicações sobre a sucessão de Raúl. Ele comanda o país desde a saída de cena do irmão Fidel por problemas de saúde, em 2006. Mas o evento pouco mudou a estrutura de poder.

    Como a reeleição de Raúl para o cargo máximo era mais ou menos esperada, as atenções se voltaram para o número dois do partido e substituto imediato do ditador em caso de necessidade.

    Ali também não houve surpresas. Apesar do anúncio de Raúl sobre limitar a idade dos dirigentes, foi mantido José Ramón Machado Ventura, 85, um dos fundadores da agremiação. Ferrenho defensor da ortodoxia comunista, reforça as vozes contrárias às reformas econômicas.

    O birô político do partido, principal instância de poder, foi ampliado de 14 para 17 membros, "incluindo quatro mulheres e cinco negros e mestiços", destacou Raúl.

    TROCA GERACIONAL

    Para Jorge Domínguez, especialista em Cuba na Universidade Harvard, "a mudança está no futuro". A troca de gerações se dará por meio do limite máximo de 70 anos para assumir cargos de liderança anunciado por Raúl na abertura do congresso.

    "O velho birô só perdeu um de seus 13 membros titulares, mantendo todos os oito nascidos antes de 1945. Os cinco novos membros são da mesma vertente política", disse.

    "O principal mecanismo de mudança será aplicação da nova regra que estabelece limites de idade máxima para promoções. Pela nova regra, nenhum dos septuagenários do birô poderia suceder Raúl como primeiro-secretário."

    No primeiro degrau da sucessão está o vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, 56, que substituirá Raúl em 2018 na chefia do Executivo e é estrela ascendente no partido.

    A cúpula foi mantida, mas o clima era de despedida.

    Na presença do irmão, o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro, Raúl disse que este congresso, quinquenal, era "o último dirigido pela geração histórica", que sairá com a sensação de "dever cumprido".

    Sobre a "atualização" do modelo socialista que iniciou em 2008, afirmou que o ritmo das reformas de abertura da economia dependem do "consenso" da sociedade, "sem precipitações nem muito menos improvisações que só conduziriam ao fracasso".

    Realizado a portas fechadas entre os cerca de mil delegados e 200 convidados, o congresso do PC ratificou a continuidade das diretrizes econômicas aprovadas no último encontro, em 2011.

    Na abertura, Raúl anunciara que as mudanças deverão levar a uma reforma constitucional, com possível aprovação por referendo popular.

    A abertura é gradual e sem desvios do modelo socialista, diz o cientista político Luis Suárez Salazar, da Universidade de Havana. "Em nosso país não há corrente majoritária de opinião que ponha em risco o socialismo como modelo para o desenvolvimento, para a independência do país, para sua autodeterminação e para construirmos uma democracia diferente."

    De agasalho azul, Fidel Castro fez o discurso de encerramento e citou a proximidade da morte. "Em breve [agosto] completarei 90 anos, foi capricho do azar", disse.

    "Ficarão as ideias dos comunistas cubanos. Aos irmãos da América Latina e do mundo, devemos transmitir que o povo cubano vencerá."

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