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    Venezuela diz ter prendido brasileiro por ligação com organização criminosa

    DE SÃO PAULO

    29/12/2017 14h05 - Atualizado às 19h29
    Erramos: esse conteúdo foi alterado

    O número dois do chavismo, Diosdado Cabello, disse na noite de quarta-feira (27) que o regime venezuelano prendeu um brasileiro por suposta ligação com uma "organização criminosa com tentáculos internacionais".

    Segundo Cabello, o gaúcho Jonatan Moisés Diniz, 31, foi capturado no Estado de Vargas, a norte de Caracas, com três venezuelanos. Ele morava em Los Angeles —motivo pelo qual foi acusado de trabalhar para a CIA.

    Para o chavista, Diniz tinha uma ONG chamada Time to Change the Earth para obter "financiamento" e "procurar detectar objetivos estratégicos". Como prova, apresentou bonés da suposta entidade e postagens nas redes sociais a favor dos protestos contra Nicolás Maduro.

    A única referência encontrada da Time to Change the Earth são duas páginas em redes sociais, criadas no final de novembro por Diniz.

    O brasileiro pedia, tanto pela entidades como pelo seu próprio perfil, doações para a compra de presentes e comida para crianças e moradores de rua. Ele viajou à Venezuela no início de dezembro, e publicou fotos em Caracas e cidades da região.

    Diniz 1

    Venezuelanos que estiveram com o brasileiro disseram à Folha que ele as procurou para conversar sobre a organização e participou de entregas de brinquedos e comida a crianças atendidas por ONGs já existentes.

    De acordo com eles, a intenção de Diniz era permanecer na Venezuela "até que conseguisse alguma mudança no país", sem especificar o que queria dizer com isso.

    As últimas postagens dele e da Time of Change the Earth foram comemorando a arrecadação de US$ 200 (R$ 663) para seu projeto e convidando para um evento de entrega de presentes em Caracas na última quarta (27).

    Cabello também associou o brasileiro a um grupo chamado Warrior of Angels por suas postagens contra o regime. A Folha apurou que Diniz esteve na Venezuela em junho, no auge dos protestos, aparentemente para atividades de filantropia.

    Diniz 2

    Não se sabe, porém, se participou dos atos ou teve alguma relação com os manifestantes ou a oposição. Também não há indícios da existência da Warrior of Angels na internet ou fisicamente ou de ligação dela com Diniz.

    A família, que mora em Balneário Camboriú (SC), não consegue contato com ele desde a suposta prisão. Os parentes recorreram à seção consular do Itamaraty, que mantém contato com Caracas para descobrir seu paradeiro. Após a mensagem de Cabello, o regime chavista não comentou mais o caso.

    As provas que o regime usou contra Diniz são similares às recolhidas para incriminar venezuelanos por terrorismo, especialmente no período das manifestações. Alguns foram julgados pela Justiça Militar ou continuam presos sem julgamento.

    Pela lei venezuelana, os estrangeiros podem ser expulsos se violarem a segurança da população, altere a ordem pública ou cometerem em delitos contra os direitos humanos. A Constituição determina que eles não têm direitos políticos, o que pode ser estendido também a manifestações.

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