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    Relato de Dilma sobre tortura é fato da história, diz Amorim

    ITALO NOGUEIRA
    DO RIO

    18/06/2012 18h09

    O ministro Celso Amorim (Defesa) afirmou na tarde desta segunda-feira (18) que relatos como o da presidente Dilma Rousseff sobre as torturas sofridas durante o regime militar "são fatos da história". Ele evitou se estender sobre o tema.

    "São fatos da história. Eles vão aparecendo. Cada cidadão forme a sua ideia sobre isso. A Comissão da Verdade é para que as pessoas conheçam os fatos sobre todos os ângulos", disse ele, em visita à exposição Humanidade, no Forte Copacabana.

    Documentos arquivados em uma sala do Conedh-MG (Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais), em Belo Horizonte, revelam torturas sofridas pela presidente. Até agora, só se sabia que Dilma tinha sido torturada por militares em São Paulo e no Rio. Em depoimento de 2001, contudo, ela conta que também foi torturada em Juiz de Fora (MG), para onde foi levada em janeiro de 1972.

    O testemunho, prestado a integrantes do Conedh-MG, foi revelado ontem pelo jornal "Estado de Minas". Segundo o jornal, durante a tortura os militares indagaram sobre um plano de fuga de Ângelo Pezzuti, ex-líder do grupo Colina, no qual Dilma militou.

    Ela descreve os tipos de tortura a que foi submetida, como pau-de-arara, choques elétricos e palmatória, e diz ter recebido socos no rosto. "Minha arcada girou para o outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu", relatou ela, de acordo com o jornal. "Só mais tarde, quando voltei para SP, o [capitão Alberto] Albernaz completou o serviço com um soco, arrancando o dente."

    A correção da arcada dentária foi uma das cirurgias a que Dilma se submeteu às vésperas da campanha presidencial de 2010.

    SIGILO

    Amorim negou que a pasta tenha ampliado o sigilo de alguns documentos. Segundo a versão do ministro, todos os papéis tiveram seu prazo para se tornar público mantido, reduzido ou eliminado após a Lei de Acesso a Informações.

    "O ministério não ampliou o segredo de nenhum documento. A lei estabeleceu quatro níveis de documento. Ela acabou com a categoria dos confidenciais. Uma boa parte desses foi simplesmente considerado ostensivo, porque o segredo não se justifica mais. Para alguns se justificava a manutenção do prazo inicialmente estabelecido, que era dez anos. Nenhum documento terá o sigilo aumentado em dez anos. Ou foi reduzido, eliminado ou mantido", disse.

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