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    Movimento Passe Livre diz que não esperava ver um grande protesto

    MORRIS KACHANI
    DE SÃO PAULO

    14/08/2013 19h14

    A expectativa do MPL (Movimento Passe Livre) não era ver um grande protesto nesta quarta-feira (14), de acordo com a estudante de direito Nina Capello, 23, uma das integrantes do grupo. "O ato não é do MPL, não é um 'fora Alckmin'. É contra uma crise estrutural e os cartéis só evidenciam isso", afirmou.

    A estudante diz que o movimento continua defendendo a tarifa zero para o transporte público mas que, por ora, não vai ajudar a organizar novos protestos. A manifestação de hoje não foi convocada pelo MPL, apenas conta com o apoio do movimento. "Nem vamos chamar outro ato agora pois este não tem uma pauta concreta como em junho", explica Capello.

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    Marcelo Hotinsky, 19, outro integrante do grupo, também vê diferença entre as manifestações de junho, de que participaram pessoas de diversas cidades do Brasil, e a desta quarta. "Este ato tem caráter bem diferente porque não tem uma pauta reivindicatória, é um ato de denúncia contra o interesse das empresas e do próprio Estado sendo colocado acima dos usuários", diz. "A questão é que não há um só culpado. É todo o sistema".

    A manifestação desta quarta chegou a levar 3.000 pessoas ao Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, segundo o Datafolha. Já alguns dos atos de junho chegaram a mobilizar 350 mil na cidade.

    Apesar do MPL afirmar que não se trata de uma manifestação contra a gestão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), diversas pessoas presentes traziam cartazes que manifestavam descontentamento com o político.

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    CARTEL EM SÃO PAULO

    O cartel envolvendo metrôs e trens no Estado é uma das fontes de descontentamento com o governo paulista. O esquema, que envolve licitações para fornecer equipamentos, veio à tona em julho, quando a Folha revelou que a multinacional alemã Siemens delatou um arranjo ilícito --do qual fazia parte-- às autoridades antitruste.

    O caso vem sendo investigado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) com base em "diários" que a Siemens forneceu. Lá estão registradas as negociações da empresa com representantes do Estado, indicando que o governo paulista teve conhecimento e deu aval à formação de um cartel para a licitação da linha 5 do Metrô de São Paulo. Os casos relatados vão de 1998 a 2008. Na denúncia, a Siemens aponta que as empresas Alstom (França), Bombardier (Canadá), Mitsui (Japão) e CAF (Espanha) eram as que operavam em cartel no país.

    O esquema de corrupção teria envolvido as últimas três gestões do governo de São Paulo --Mário Covas, José Serra e o próprio Alckmin--, todas do PSDB. Depois de ter acesso, via ordem judicial, aos documentos relativos a apuração, o governo paulista declarou que irá processar a multinacional alemã. Mesmo assim, todos os contratos serão mantidos.

    TARIFA

    Após a onda de protestos de junho, Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) revogaram o aumento da tarifa de ônibus, metrô e trens da cidade de São Paulo. O preço voltou a ser de R$ 3.

    O governo paulista ainda chegou a anunciar, para fechar a conta, seria necessário cortar investimentos, mas, novamente pressionado, optou pela extinção de uma secretaria.

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