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    Wednesday, 29-Jun-2022 09:50:02 -03

    Lava Jato

    Empresa contratada por 4 partidos em 2010 é investigada

    ANDRÉIA SADI
    DE BRASÍLIA
    BRUNO BOGHOSSIAN
    DE DO PAINEL, EM BRASÍLIA
    GUSTAVO URIBE
    DE SÃO PAULO

    20/11/2014 02h00

    A Polícia Federal investiga a conexão entre o esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato e uma empresa de propaganda que já foi contratada para campanhas de PT, PSB, PSDB e DEM em 2010 –incluindo a de Dilma Rousseff e do então candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (hoje na Casa Civil).

    Na segunda-feira (17), investigadores interrogaram executivos presos na sétima fase da Lava Jato sobre eventual vínculo da All Win Propaganda com a OAS, empreiteira acusada de integrar o esquema de propina na Petrobras. Eles silenciaram.

    Segundo a Folha apurou, uma das suspeitas é de que a All Win seja empresa de fachada usada para lavar dinheiro. Não é citada nenhuma correlação eleitoral até aqui.

    O dono da All Win, Marcelo France, disse à Folha "estar surpreso'' com a citação da empresa na operação. Ele confirma ter prestado serviços de produção de material gráfico para campanhas, mas disse não se lembrar de quais.

    Relatório da PF produzido em 5 de novembro deste ano mostra o doleiro Alberto Youssef e o funcionário da OAS José Ricardo Nogueira Breghirolli combinando uma entrega de dinheiro no fim de 2013 no endereço onde funciona a empresa de propaganda. Os dois estão presos.

    A PF descobriu a combinação ao interceptar troca de mensagens do dia 3 de dezembro de 2013 em que Breghirolli pede ao doleiro que faça entrega de dinheiro no dia seguinte no endereço do escritório da All Win, na rua da Consolação, em São Paulo.

    O funcionário da OAS disse que a entrega devia ser feita aos cuidados de uma mulher chamada Cíntia, entre 10h e 12h. O dono da All Win confirmou à Folha que Cíntia era sua secretária, mas negou conhecer Youssef ou alguém da empreiteira. Disse também que não sabia de cabeça'' por que a entrega foi feita.

    A data da entrega do dinheiro coincide com anotação encontrada com o doleiro. Uma tabela com o título de "money delivery" (entrega de dinheiro) indica que foi feita uma remessa de R$ 110 mil em 4 de dezembro.

    "Há concretos indícios a indicar que a planilha exposta (...) seja o controle da movimentação de valores realizada por Alberto Youssef para a OAS", escreve a PF.

    Breghirolli mantinha contato frequente com Youssef. Segundo os relatórios da investigação, ele entrou e saiu do escritório do doleiro em São Paulo pelo menos 32 vezes entre 2011 e 2014. Ele esteve na empresa de Youssef por 1h48min no dia seguinte à entrega de dinheiro no endereço da All Win.

    Na eleição de 2010, a All Win e a MPI Comunicação, outra empresa do mesmo sócio e que funciona no mesmo endereço, segundo a Junta Comercial de São Paulo, emitiram notas fiscais de prestação de serviços no valor total de R$ 2,8 milhões, de acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

    Entre as campanhas que declararam ter contratado a All Win estão a do deputado federal Arlindo Chinaglia (R$ 1,9 milhão), de Mercadante (R$ 299,5 mil), Dilma (R$ 120 mil), e do então candidato a deputado federal Ricardo Berzoini (R$ 14,5 mil), hoje ministro das Relações Institucionais.

    Também contrataram a empresa como fornecedora em 2010 Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), atual prefeito de Santos, Ulisses Sales (PSD), suplente a deputado estadual e eleito à época pelo DEM, e o ex-deputado estadual Valdeci Augusto Oliveira (PT-BA).

    Usaram os serviços da empresa-irmã da All Win o então candidato a deputado federal pelo PSB Gabriel Chalita –hoje no PMDB– (R$ 313 mil) e o atual presidente do PT Rui Falcão (R$ 73 mil).

    Nos interrogatórios de executivos e funcionários da OAS presos na sexta (14), o delegado Felipe Hayashi perguntou sobre a remessa à empresa e as relações da empreiteira com a firma para Berghirolli, Agenor Magalhães Medeiros (diretor da área internacional da OAS) e José Aldemário Pinheiro (presidente da empreiteira). Eles silenciaram.

    A empresa aparece ainda na lista de fornecedores da Petrobras. Em maio de 2009, foi contratada para organizar seminário por R$ 100 mil.

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