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    Com discurso agressivo, Aécio quer deixar presidente 'no chão'

    NATUZA NERY
    GABRIELA GUERREIRO
    DE BRASÍLIA

    04/12/2014 02h00

    O discurso agressivo da oposição veio para ficar, conforme instrução do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para cumprir o objetivo de deixar o governo Dilma "no chão".

    A Folha apurou que, em conversas reservadas, o tucano disse ser preciso manter "acesa" a indignação de parcela do eleitorado e, assim, aprofundar o desgaste do Palácio do Planalto à medida que o escândalo da Petrobras continua em ebulição.

    O mineiro quer, portanto, cozinhar a presidente da República em fogo alto.

    Quando é perguntado sobre as chances de patrocinar um processo de impeachment na esteira do escândalo da Petrobras, rechaça qualquer plano nesse sentido.

    "Não vamos deixar isso [fragilização de Dilma] morrer, o governo que se sustente. Mas sou um democrata", afirmou, segundo relatos.

    Todos os dias, uma tropa oposicionista se reveza chamando o governo de corrupto sem encontrar defesa na mesma proporção do ataque.

    Nesta quarta-feira (3), o senador acusou sua adversária de colocar o Congresso de "cócoras" ao exigir a aprovação do projeto que permite ao Executivo não cumprir a meta fiscal do ano em troca de mais verba para as emendas dos parlamentares.

    Trata-se de uma referência ao decreto assinado por Dilma condicionando a liberação de R$ 447 milhões para projetos indicados pelos congressistas à aprovação da mudança na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

    Aprovada, a alteração dá carta branca à área econômica para descumprir a meta de superavit primário fixada pelo Ministério da Fazenda.

    Caso a lei não passe, a presidente pode ser condenada por crime de responsabilidade, embora, apesar da gritaria, a própria oposição admita não crer neste desfecho.

    No discurso desta quarta, Aécio foi tão inflamado que, ao final, chegou a perder o ar. Dias antes, em entrevista à "GloboNews", foi ainda mais duro ao afirmar ter perdido a eleição não para um partido, mas para uma "organização criminosa que se instalou no seio" de algumas estatais.

    O risco de apostar nesse agressivo é cristalizar a imagem de "pitbull". Nos bastidores, Aécio não esconde a determinação de fazer uma espécie de "reposicionamento". Entretanto, assegura: não abandonará por completo a fama de conciliador.

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