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    Ex-deputado Protógenes Queiroz é demitido do cargo de delegado da PF

    DE SÃO PAULO

    14/10/2015 15h46

    Alan Marques - 19.fev.2013/Folhapress
    BRASÍLIA, DF, BRASIL, 19-02-2013 15h50: O deputado Protogenes Queiroz fala sobre o roubo de seu tablet e como foi a ação da Polícia Federal para tentar recuperar o aparelho. (Foto: Alan Marques/Folhapress, PODER)
    O ex-deputado Protogenes Queiroz, em Brasília

    O ex-deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B-SP) foi demitido do cargo de delegado da Polícia Federal. A decisão, assinada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi publicada no "Diário Oficial da União" nesta terça-feira (13).

    A portaria cita quatro incisos de duas leis para justificar a demissão. De acordo com o texto, Protógenes utilizou-se, "abusivamente da condição de funcionário policial", praticou "ato lesivo da honra ou do patrimônio da pessoa, natural ou jurídica, com abuso ou desvio de poder, ou sem competência legal", submeteu "pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou constrangimento não autorizado em lei". Além disso, também acusa o ex-delegado de ter revelado "segredo do qual se apropriou em razão do cargo".

    Protógenes ficou nacionalmente conhecido por ter atuado como delegado na Operação Satiagraha, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro, entre outros crimes, envolvendo o banco Opportunity.

    O banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta —morto em 2009— e o investidor Naji Nahas chegaram a ser presos em decorrência da operação, em julho de 2008. Mais à frente, no entanto, a Satiagraha foi anulada porque a Polícia Federal teria obtido interceptações telefônicas de maneira ilegal. A atuação da Polícia Federal na Satiagraha levantou questionamentos desde a deflagração da operação.

    As críticas, tanto por parte de advogados dos acusados como por parte de policiais federais e da imprensa, se davam basicamente à forma como Protógenes conduziu as investigações. À época a cúpula da PF avaliava que o então delegado não prestou contas sobre o trabalho, retendo até mesmo informações básicas sobre o escopo da investigação. Agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) atuaram na operação, sem o conhecimento do Ministério da Justiça e da chefia da PF.

    Eventualmente, Protógenes foi afastado das investigações. Como delegado da PF, ele especializou-se em investigar crimes financeiros, área na qual atuou desde os anos 90. O primeiro inquérito que levou à criação da CPI do Banestado, em 2003, é de sua autoria.

    O ex-delegado também liderou investigações cujos alvos foram o ex-governador Paulo Maluf, acusado de evasão de divisas, e o empresário Law Kin Chong, acusado de contrabando.

    Em 2010, impulsionado pela notoriedade obtida na Satiagraha, elegeu-se deputado federal pelo PC do B paulista. No ano passado, tentou a reeleição, mas não conseguiu.

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