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    Lava Jato

    Novo delator vai devolver US$ 10 mi atribuídos a ex-diretor da Petrobras

    FELIPE BÄCHTOLD
    DE SÃO PAULO

    26/10/2015 16h31 - Atualizado às 23h11

    Félix Leal - 31.ago.2015/Futura Press/Folhapress
    O engenheiro João Antônio Bernardi Filho (esquerda), durante depoimento à Justiça, em Curitiba
    O engenheiro João Antônio Bernardi Filho (esquerda), durante depoimento à Justiça, em Curitiba

    Mais novo delator da Operação Lava Jato, o engenheiro João Antônio Bernardi Filho se comprometeu a devolver mais de US$ 10 milhões em bens atribuídos ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

    Bernardi disse ao Ministério Público Federal que foi, por cinco anos, administrador de valores recebidos como propina pelo ex-diretor, controlando empresas abertas fora do Brasil que recebiam repasses com origem em projetos da Petrobras.

    O delator, que deixou a cadeia nesta segunda-feira (26), contou em depoimento que chegou até a emitir uma carta para assegurar que, se morresse, o dinheiro da offshore Hayley, aberta no Uruguai, ficaria com Duque.

    Entre os bens devolvidos, estão imóveis comprados no Brasil e obras de arte de artistas valorizados, como Alberto Guignard. O documento do acordo de delação determina ainda o pagamento de multa de R$ 3 milhões.

    Bernardi falou em depoimento que era amigo do ex-diretor havia mais de 30 anos e que a partir de 2009 passou a gerir o dinheiro dele.

    O ex-diretor da Petrobras, de acordo com o delator, não tinha "qualquer experiência com offshores" e o convidou para ajudá-lo. Só de 2009 a 2010, a Hayley teria recebido US$ 5 milhões.

    Duque, segundo o depoimento, recebeu da empresa Confab, que tinha contrato com a Petrobras, um total de US$ 9,4 milhões em propina.

    Em 2011, contou o delator, uma conta da Hayley na Suíça foi usada para receber um pagamento de US$ 1 milhão feito pelo lobista Julio Camargo e referente a outro projeto da Petrobras.

    Segundo Bernardi, a partir de 2012 parte do dinheiro foi trazida para o Brasil com a constituição da empresa Hayley do Brasil, usada para comprar imóveis. Ele disse ter tido a ajuda de um advogado, José Filpi, que já morreu.

    ROUBO DE R$ 100 MIL

    O engenheiro já é réu em ação penal em que é acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

    O relato de Bernardi sobre suas atividades se distancia do papel que o Ministério Público Federal atribuía a ele.

    A denúncia afirma que o agora delator pagou R$ 100 mil a Duque para que a empresa italiana Saipem obtivesse um contrato para a instalação de um gasoduto.

    O engenheiro ficou conhecido por um episódio em 2011, quando teve uma valise sua com R$ 100 mil em espécie roubada. O Ministério Público Federal afirmou que na ocasião ele estava a caminho da sede da Petrobras, no Rio, para entregar propina a Duque, quando foi assaltado, mas o delator deu outra versão em depoimento.

    Negou que iria deixar a mala na Petrobras com Duque e disse que o valor na verdade seria devolvido para Augusto Amorim Costa, então diretor da Queiroz Galvão que havia emprestado a quantia anteriormente.

    A Folha não localizou representantes da Confab nem os advogados de Duque para comentar o assunto. A Queiroz Galvão disse que age seguindo os mais altos padrões de ética corporativa.

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