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    o impeachment

    Em evento com Alckmin, MST esconde símbolos

    THAIS ARBEX
    BELA MEGALE
    DE SÃO PAULO

    15/01/2016 02h00

    Duamorim/A2imgFOTOGRAFIA
    Integrantes do MST durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista
    Integrantes do MST durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista

    O vermelho, cor que representa o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), ficou de fora do evento em que o governador Geraldo Alckmin sancionou, nesta quinta-feira (14), no Palácio dos Bandeirantes, a lei estadual que permite a transmissão de terras a herdeiros de assentamentos rurais e o acesso deles a meios de financiamento.

    Bandeiras, bonés e camisas com os símbolos do movimento foram deixados de lado pelos sem-terra no encontro com o governador tucano.

    O comportamento é bem diferente do adotado em encontros recentes com lideranças petistas, inclusive a presidente Dilma Rousseff.

    Apesar da recente aproximação com Alckmin, o MST avaliou que posar ao lado do governador com seus símbolos seria ir longe demais.

    Nos bastidores, segundo a Folha apurou, integrantes do movimento admitem que, embora Alckmin tenha encampado uma das principais demandas do grupo, o MST não poderia entregar sua bandeira ao tucano.

    Ainda mais no momento de novo confronto da Polícia Militar com grupos que protestam contra o aumento da tarifa de transporte público.

    Na avaliação de um integrante da organização, seria contraditório o MST divulgar um nota em que "repudia a ação violenta da polícia em São Paulo" e, no dia seguinte, aparecer com seu símbolo ao lado do governador.

    Oficialmente, dirigentes do movimento atribuem a ausência de seus símbolos ao fato de o evento na sede do governo paulista ter sido um ato político e solene.

    "Não levamos bonés e camisetas porque entendemos que era um evento político de assinatura de uma lei. Foi no Palácio dos Bandeirantes, fomos convidados e entendemos que essa conquista não foi de MST, mas de vários atores", afirmou à Folha Gilmar Mauro, principal liderança do movimento em São Paulo.

    No entanto, na maioria dos encontros com o governo federal no Palácio do Planalto, os representantes do MST carregaram seus símbolos.

    Pedro Ladeira - 13.fev.2014/Folhapress
    Integrantes do MST usam bonés vermelhos ao serem recebidos pela presidente Dilma Rousseff
    Integrantes do MST usam bonés vermelhos ao serem recebidos pela presidente Dilma Rousseff

    Em agosto do ano passado, em uma reunião a portas fechadas com o então ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e os ministros petistas Patrus Ananias e Miguel Rossetto, a maioria vestia camiseta e boné do MST.

    Em 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva posou para fotos com um boné do movimento, durante audiência oficial.

    "O principal dirigente do movimento, Gilmar Mauro, estava lá. Esse é o maior símbolo", afirmou João Paulo Rodrigues, uma das principais lideranças do MST, sobre a ausência do vermelho no ato com os tucanos. Ele não participou do evento por estar em uma reunião em Brasília.

    PRESSÃO

    O MST usou o ato desta quinta no Palácio dos Bandeirantes para mandar um recado a Dilma. "A lei [sobre transmissão de terras] tem um efeito simbólico nacional. Esperamos que, em nível nacional, se aprove uma lei como esta que está sendo aprovada aqui em São Paulo", disse Mauro.

    Alckmin, que disputa com o senador Aécio Neves (MG) a indicação do PSDB para ser o candidato à Presidência em 2018, tem aproveitado a falta de diálogo de Dilma com os movimentos para se aproximar de grupos ligados ao PT. "É importante estar aberto ao diálogo. Quando a gente ouve mais, erra menos", afirmou o governador em coletiva.

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