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    Lava Jato

    Delcídio do Amaral pedirá quebra de sigilo telefônico de filho de Cerveró

    GABRIEL MASCARENHAS
    DE BRASÍLIA

    20/01/2016 02h00

    Os representantes do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) vão pedir a quebra do sigilo telefônico do filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, Bernardo, responsável pela gravação conversa que levou o parlamentar para a cadeia, em novembro.

    De acordo com Antônio Figueiredo Basto, advogado do senador, a solicitação vai integrar a defesa do petista, que deverá ser entregue ao STF (Supremo Tribunal Federal) até a próxima segunda-feira.

    O acesso à lista de pessoas com quem Bernardo trocou telefonemas revelará se o filho de Cerveró manteve contato com os procuradores da Operação Lava Jato antes de Delcídio ser detido.

    "Podemos e vamos pedir essa quebra. Quero saber como e quem industriou o Bernardo. Só o Supremo poderia autorizar [a gravação da reunião com Delcídio]", afirmou Figueiredo Basto.

    No áudio captado por Bernardo, o senador e ex-líder do governo indicou que teria condições de influir sobre ministros do STF para garantir a liberdade de Cerveró e chegou a tratar de uma eventual rota de fuga do ex-
    diretor, caso a Justiça não o libertasse.

    Ainda segundo o advogado, a defesa argumentará que a prisão deu-se por "meio enganoso de prova".

    "Isso ocorre quando infiltram uma pessoa para te provocar e gravar o que você diz, atacando o direito ao silêncio. O áudio foi feito sem autorização judicial e por uma pessoa que sequer é parte no processo, o Bernardo", adiantou Figueiredo Basto.

    No mesmo documento, os representantes do parlamentar vão pedir que a ação penal não seja aceita, além de pleitearem a revogação da prisão de Delcídio, que dura dois meses. "Minha intenção é anular a prova", adiantou o advogado.

    CONTRA-ATAQUE

    Embora não descarte firmar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, o petista deu aval para que seus advogados apresentem a defesa ao STF.

    Ele está preso no Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, em Brasília, desde 18 de dezembro.

    Nesse período, além dos salários, o Senado pagou o auxílio-moradia para o senador preso.

    Reservadamente, o ex-líder do governo tem reafirmado a pessoas próximas sua mágoa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do PT, Rui Falcão, conforme adiantou a coluna Mônica Bergamo.

    Delcídio sentiu-se abandonado pelos correligionários no momento em que mais precisava de apoio, segundo sua própria avaliação.

    Interlocutores do parlamentar afirmam que, caso ele deixe a cadeia e retome o mandato, vai disparar seus contra-ataques em discursos da tribuna do Senado.

    Em dezembro do ano passado, o relator dos processos relacionados à Lava Jato que tramitam no STF, ministro Teori Zavascki negou o primeiro pedido de revogação da prisão impetrado pela defesa de Delcídio.

    OUTRO LADO

    Procurado pela Folha, o advogado Breno Brandão, que representa Nestor e Bernardo Cerveró, disse que não iria se pronunciar sobre os argumentos que serão usados pela defesa do parlamentar.

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