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    o impeachment

    FHC passa a defender impeachment de Dilma

    DE SÃO PAULO

    19/03/2016 16h55

    Moacyr Lopes Junior - 16.mar.16./Folhapress
    São Paulo, SP, Brasil. 16.03.2016. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante palestra dirigida ao mercado de seguro, no bairro de Moema, na zona sul da cidade. (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress - Poder) ***EXCLUSIVO***
    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante palestra em São Paulo

    O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso defendeu pela primeira vez o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em entrevista publicada no site do jornal "O Estado de S. Paulo" neste sábado (19).

    Cardoso disse que entendia que a melhor saída para a crise política e econômica enfrentada pelo país seria a renúncia de Dilma, mas mudou de posição.

    "Eu fui passo a passo. Cheguei a defender que ela tivesse um gesto de grandeza e renunciasse. Eu sempre procurei ter uma atitude serena em relação a esses processos políticos e especialmente em relação à presidente Dilma. Dificilmente você vai ver uma palavra agressiva minha em relação à presidente Dilma. Não apenas pela consideração institucional, mas também pessoal", afirmou.

    "Mas, com a incapacidade que se nota hoje de o governo funcionar, de ela resistir e fazer o governo funcionar, eu acho que agora o caminho é o impeachment. Se eu bem entendi o que as ruas gritaram, foi isso. As ruas gritaram renúncia, fim, impeachment", disse.

    O ex-presidente tucano disse que o impeachment não deverá levar a uma ruptura institucional no país.

    Segundo FHC, "as instituições brasileiras estão mais sólidas do que estavam no impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Não há temor de um retrocesso institucional. Tudo na política depende não apenas das circunstâncias, mas da capacidade de condução do processo".

    Sobre o fato de o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) estar conduzindo o processo do impeachment ao mesmo tempo em que se defende em processos na Lava Jato, Cardoso disse que "a legitimidade do impeachment não está vindo do Congresso hoje, está vindo da rua".

    Sobre um cenário pós impeachment, FHC afirmou que "o natural é que assuma o vice, o Michel Temer. Vai depender dele e das forças que ele for capaz de juntar. O país quer a continuidade da Lava Jato, soluções para as questões econômicas prementes, respeito à institucionalidade".

    Ao ser indagado se o vice-presidente Michel Temer tem condições de liderar o país neste momento, respondeu: "a história faz o líder".

    Quanto ao papel do PSDB em um eventual governo depois do impeachment de Dilma, FHC afirmou que "o PSDB não pode dizer 'eu quero ser ministro'. O PSDB tem de perguntar ao presidente o que ele vai fazer com o País. Se estiver de acordo, tem de apoiar. Necessariamente, não significa ministério. Ir além disso é fazer especulação".

    Cardoso disse ter ficado "estarrecido" ao conhecer o teor do depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou à Polícia Federal no último dia 4, no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato.

    "Eu também sempre que pude preservei a memória do Lula. Eu conheço o Lula há décadas, vi o Lula em São Bernardo. Você se lembra que quando o Lula ganhou na eleição do candidato do meu partido e fiz tudo para que houvesse uma transição dentro das instituições. Foi com emoção que eu passei a faixa pra ele e vice-versa. São momentos densos historicamente. Você ver o Lula enterrar a própria história? Isso me dá tristeza. Eu não comemoro esse fato, me dá tristeza, bem ou mal o Lula teve um papel no Brasil", disse.

    "Você lê o depoimento dele à Polícia Federal... As palavras que ele usa, a negativa sobre qualquer responsabilidade sobre qualquer coisa. O Brasil está precisando do contrário disso", completou.

    Ainda sobre Lula, FHC comentou que as afirmações do petista em gravações grampeadas pela Polícia Federal na Lava Jato "não têm nada de republicano, nada de democrático, é uma coisa de chefe de bando".

    "Irresponsável. Um líder nacional não tem o direito de jogar parte do povo contra outras partes do povo e o conjunto contra as instituições", disse.

    Para Cardoso, ao nomear Lula para o ministério Dilma "deu um sinal de que renuncia ao poder".

    "Só que não foi institucional. Se é para renunciar, passa para o vice-presidente da República. Aí tem um cheirinho de golpe, de golpe palaciano", declarou.

    O ex-presidente da República também falou sobre as afirmações feitas por sua ex-amante, a jornalista Mirian Dutra, em entrevista à Folha, na qual apontou que Cardoso enviou dinheiro para ela no exterior por meio de um contrato fictício.

    "Essa senhora foi contratada por uma empresa que não era brasileira. Remeter o que? Para quem? Se o pagamento era feito lá fora por uma empresa não brasileira? Se crime tivesse, já teria sido prescrito, foi em 2002. Ela foi contratada nos meus últimos 15 dias de mandato. Nunca remeti divisa nenhuma. Eu fui professor nos Estados Unidos, no Chile, na França, na Inglaterra. Eu tinha conta em todos esses lugares, registradas, de maneira legal", afirmou.

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