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    o impeachment

    Manifesto pró-Dilma causa racha entre brasilianistas

    DANIEL BUARQUE
    DE SÃO PAULO

    05/04/2016 02h00

    Marri Nogueira - 29.jul.10/Folhapress
    BRASÍLIA, DF, BRASIL, 29-07-2010, 19h00: Brasilianista Anthony Pereira, dá entrevista para a Folha, no Garvey Hotel. (Foto: Marri Nogueira/Folhapress, PODER) ***ESPECIAL FOLHA***
    O cientista político e brasilianista Anthony Pereira

    A aprovação de um manifesto dizendo que a democracia brasileira está ameaçada pela crise política gerou um racha entre brasilianistas presentes na conferência da Brazilian Studies Association (Brasa), encerrada no fim de semana na universidade Brown, em Rhode Island (EUA).

    Um dia após o encerramento do encontro que reuniu mais de 500 acadêmicos que estudam temas relacionados ao Brasil, o ex-presidente da associação, o cientista político Anthony Pereira, renunciou a seu cargo no Comitê Executivo da Brasa e solicitou sua desfiliação da entidade.

    "É interessante ver que os mesmos conflitos que dividem o Brasil agora também dividem a comunidade de pesquisadores que estudam o Brasil", disse Pereira à Folha.

    "Na disputa dentro da Brasa, o grupo que apoiava o manifesto aprovado não respeitou a necessidade de deliberação cuidadosa, debate e consenso dentro da associação", disse ele, que é diretor do Brazil Institute do King's College de Londres.

    Pereira explicou que não era contra a publicação de um manifesto político pela Brasa, mas que queria que fosse um texto mais bem trabalhado.

    O abaixo-assinado, endereçado ao "povo brasileiro", afirma que, ainda que o combate à corrupção seja legítimo e necessário para melhorar a democracia, "no clima político atual, há o sério risco de que a retórica anticorrupção esteja sendo utilizada para desestabilizar um governo recém-eleito democraticamente, agravando a séria crise política e econômica do país".

    PARTIDÁRIO

    O grupo de brasilianistas insatisfeitos com a aprovação do texto alega que o manifesto partidarizou a conferência acadêmica. Muitos acreditam que o posicionamento adotado pode ferir a percepção de objetividade e neutralidade que os acadêmicos americanos e europeus precisam manter ao estudar o Brasil.

    Segundo Idelber Avelar, professor de literatura latino-americana na Universidade Tulane, em Nova Orleans (EUA), o maior problema do manifesto é que houve a sensação de que o documento havia sido levado pronto à conferência.

    "Houve uma partidarização da associação. A assembleia foi esvaziada, e conduzida de forma a não debater o texto, e aprovar a moção a qualquer custo. Houve clima de intimidação, gritos e vaias. Foi lamentável", disse à Folha. Avelar também pediu sua desfiliação da Brasa.

    'NÃO HÁ CISÃO'

    Apesar da clara polarização entre os acadêmicos estrangeiros, o historiador Bryan McCann, professor da Universidade Georgetown e novo presidente da Brasa, discorda da ideia de que há uma cisão da associação. "Não acho que podemos chamar o que houve de crise, e isso não vai afetar a colaboração entre os pesquisadores que estudam o Brasil", disse McCann à Folha.

    Para o também historiador James Green, professor da da Universidade Brown e autor do manifesto aprovado na conferência, a divergência de opiniões é normal.

    "Se existe uma partidarização no Brasil, seria estranho que brasilianistas não discutissem isso. A polarização está em todo canto, e o debate é normal, faz parte da democracia", disse à Folha.

    Green lamentou a disputa interna da Brasa, mas ressaltou que houve uma votação na conferência e que a maioria dos brasilianistas no encontro votou a favor da moção.

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