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    o impeachment

    Em votação na Câmara, Dilma só não foi traída pelo PT e pelo PC do B

    DE BRASÍLIA

    18/04/2016 02h20

    Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
    BRASILIA, DF, 16-04-2014 - XIV Seminário Brasileiro de Transporte Rodoviário de Cargas. Dep. Mauro Lopes (PMDB-MG). Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
    O deputado federal Mauro Lopes (PMDB-MG), ex-ministro da Aviação Civil do governo Dilma Rousseff

    Após 43 horas de discussão e mais dez horas de votação neste domingo (17), a presidente Dilma Rousseff assistiu a um festival de traições na decisão da Câmara de autorizar o Senado a abrir o seu processo de impeachment. De sua teórica e extensa base aliada, só PT e PC do B não registraram defecções.

    O abandono do barco incluiu até mesmo ex-ministros seus –Mauro Lopes (PMDB-MG), titular da Aviação Civil até a quinta-feira, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Alfredo Nascimento (PR-AM), que renunciou em plenário à presidência do seu partido.

    Segundo a Folha apurou, Dilma e o ex-presidente Lula consideraram uma "decepção" a alteração de posição de alguns, entre eles Nascimento, já que a cúpula do partido trabalhava contra o impeachment.

    Na primeira gestão de Dilma, Nascimento foi exonerado em meio à "faxina ética", como ficou conhecida a queda em série de ministros suspeitos de envolvimento em irregularidades.

    Além dos ex-ministros, o governo lamentou também desembarques nos partidos de centro com quem negociava cargos e ministérios.

    Alan Marques/Folhapress
    BRASLIA, DF, BRASIL, 16-08-2011, 19h20: Senador Alfredo Nascimento (PR) discursa no plenario do Senado durante sesso. (Foto: Alan Marques/Folhapress, PODER)
    O ex-senador e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR) no plenário do Senado

    Nos últimos dias e até o último momento, Dilma e Lula tentaram reunir votos mínimos no PMDB, PP, PR e PSD, mas a ação contrária de Michel Temer e aliados conseguiu anular a ofensiva.

    No PMDB, por exemplo, Dilma conseguiu manter o voto do líder da bancada, Leonardo Picciani (RJ), e dos ministros Marcelo Castro (Saúde) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), que reassumiram seus mandatos. Mas a maioria da bancada (59 de 67) seguiu na direção oposta.

    Inclusive Mauro Lopes, que se disse muito agradecido de ser ministro de Dilma, mas que pela "lealdade" ao PMDB e pela "mulher, filhos e netos", votava sim.

    No PP, Dilma só conseguiu 7 dos 45 votos. No PSD, 8 dos 37. Por isso, as principais reclamações foram direcionados aos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do PSD, Gilberto Kassab. No PR a traição foi menor, mas mesmo assim grande. Vinte seis de uma bancada de 40 votaram pela saída da petista.

    Além de fracassar na atração dos dissidentes de sua base, Dilma não conseguiu furar de forma relevante a coesão dos oposicionistas. Nesse bloco, teve apoio unido apenas do nanico de esquerda PSOL, que tem seis deputados, dois votos da Rede e três do PSB, aliado histórico do PT que acabou rompendo com a legenda em 2013.

    Dos que não se pronunciaram no levantamento feito pela Folha sobre a intenção de voto, houve divisão exata –17 votaram a favor do impeachment, e 17 foram contra, faltaram ou se abstiveram.

    No Palácio da Alvorada, Dilma reagiu aos discursos de alguns parlamentares pró-impeachment, segundo relatos. "Como é que alguém consegue falar que se quer acabar com a corrupção olhando para o Eduardo Cunha?"

    "Aqui (Câmara), não dá mais. Agora vamos para a luta e tentar reverter no Senado. Aqui, muitas traições, coisas surpreendentes, como Alfredo Nascimento. Amazonas não deu um voto para nós, Eduardo Braga [senador pelo Amazonas e ministros de Minas e Energia] não conseguiu nem um voto, como é que pode?", lamentou Humberto Costa (PT-PE), líder do governo no Senado, antes mesmo do resultado final.

    Caso o Senado decida abrir o impeachment, o que é uma tendência forte hoje, Dilma é afastada do cargo. Essa definição está prevista para a primeira quinzena de maio.

    Se o Senado decidir definitivamente pelo impeachment, Dilma será o 4º presidente da República a não concluir o mandato para o qual foi eleito pelo voto popular desde a Era Vargas.

    Ator ativo das articulações para a destituição da petista, o vice Michel Temer, caso assuma, levará pela terceira vez o PMDB ao comando do país.

    Dilma foi reeleita em 2014 para um mandato que se encerra em dezembro de 2018, na mais acirrada disputa presidencial da história –54,5 milhões de voto (51% dos votos válidos, contra 48% de Aécio Neves).

    Radiografia dos votos

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