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    o impeachment

    Análise

    Planilha de Dilma com previsão de votos revela seus erros na política

    VALDO CRUZ
    DE BRASÍLIA

    18/04/2016 11h50

    Alan Marques/Folhapress
    BRASÍLIA, DF, BRASIL, 13.04.2016. A presidente Dilma Rousseff dá entrevista para alguns veículos de comunicação, em seu gabinete no Palácio do Planalto. (FOTO Alan Marques/ Folhapress) PODER
    A presidente Dilma Rousseff, em seu gabinete no Palácio do Planalto

    Encerrada a votação de domingo, as planilhas de votos de Michel Temer e Dilma Rousseff mostraram qual lado estava mais preparado para a batalha e afiado na busca de apoios. Enquanto o vice errou apenas por um voto o placar final, o governo descobriu que tinha 26 votos a menos do que o esperado.

    Mais do que o erro na contabilidade, as planilhas revelam um dos principais erros da presidente que acabaram levando à aprovação do pedido de impeachment da petista na Câmara dos Deputados.

    Responsável não só pelo mapeamento dos votos mas também, e principalmente, pelas negociações ao lado de Temer, o ex-ministro Eliseu Padilha foi praticamente empurrado para fora do governo quando ocupava a Secretaria de Aviação Civil e acumulava o papel de assessor do vice-presidente na articulação política de Dilma.

    O mapa de votos de Padilha, usado para checar como se comportariam os deputados que prometeram votar com Temer, indicava que o impeachment seria aprovado com o apoio de 368 deputados no plenário. O placar final foi de 367.

    Já a planilha montada pelo Planalto indicava que o governo teria, entre votos contra a abertura do processo de impedimento da petista, abstenções e ausências 172 votos, o mínimo necessário para barrar a aprovação do pedido.

    Ao término da votação, perto de meia-noite de domingo, o placar eletrônico da Câmara mostrava 137 não, 7 abstenções e 2 ausências, um total de 146. Ou seja, nada menos do que 26 apoios que estavam na conta da presidente Dilma não se confirmaram.

    A presidente sofreu várias traições, entre elas dos deputados Mauro Lopes (PMDB-MG), Alfredo Nascimento (PR-AM), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Dudu da Fonte (PP-PE). Já no levantamento de Padilha apenas o voto de Fábio Mitidieri (PSD-SE) não se confirmou.

    ARTICULAÇÃO POLÍTICA

    Aliado fiel de Temer, Padilha esteve ao lado do vice-presidente no período em que ele assumiu a articulação política no ano passado para aprovar as medidas do ajuste fiscal.

    Praticamente todas as medidas enviadas ao Congresso pela equipe econômica foram aprovadas, só que, no fim do processo, Temer e Padilha começaram a ser sabotados pela presidente Dilma e pelo ministro Aloizio Mercadante, então na Casa Civil.

    Motivo: a presidente começou a ficar com ciúme do vice, que passou a receber mais atenção da base aliada do que ela. Enquanto o gabinete presidencial passou a não ser mais procurado pelos governistas, o da vice-presidência recebia uma romaria de deputados e senadores.

    Temer e Padilha acabaram devolvendo a articulação política do governo. Resultado: a segunda fase do ajuste fiscal acabou não sendo aprovada, piorando ainda mais a crise econômica.

    Assessores da própria presidente Dilma Rousseff admitem que, se ela tivesse mantido Temer e Padilha à frente da articulação política, a história hoje seria outra. Ela teria, com certeza, de partilhar poder com o peemedebista, mas não estaria agora prestes a ser afastada da Presidência da República.

    PLACAR DO IMPEACHMENT NA CÂMARA

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