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    Para Planalto, acusação contra Temer pode afetar a governabilidade

    VALDO CRUZ
    GUSTAVO URIBE
    DE BRASÍLIA

    15/06/2016 20h33

    A denúncia de que o presidente interino, Michel Temer, teria pedido doação de recursos ilícitos para a campanha a prefeito de São Paulo de Gabriel Chalita em 2012 foi classificada pelo Palácio do Planalto como "muito ruim para a governabilidade", principalmente para um governo interino.

    O receio é que novas denúncias causem impacto negativo na imagem da nova gestão e acabem com a "lua de mel" da administração peemedebista no Congresso Nacional. A informação do pedido consta da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

    Lalo de Almeida/Folhapress
    BRASIL. SP. SAO PAULO. 24/06/2012. 12:30. O candidato a prefeito pelo PMDB Gabriel Chalita e o vice-presidente da Republica Michel Temer durante a Convencao Municipal do PMDB na praca da Se que o escolheu como candidato do partido as eleicoes municipais. ( Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress. PODER )
    Gabriel Chalita e Temer durante campanha em 2012

    A divulgação do conteúdo da delação de Machado atrapalhou os planos do Palácio do Planalto, que esperava ter um dia de notícias positivas com o anúncio da proposta de criar um teto para os gastos públicos da União.

    Lançada pela manhã pelo próprio Temer em reunião com líderes, a proposta do teto foi bem recebida pelo mercado, mas foi ofuscada no início da tarde quando começaram a ser publicados trechos da delação premiada de Sérgio Machado citando o nome do presidente interino.

    Com receio de que a informação estimule panelaços, o peemedebista foi aconselhada a excluir de vez a possibilidade de convocar na sexta-feira (17) cadeia de televisão e rádio para pronunciamento à nação, o que era avaliado até então.

    A nota oficial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência foi distribuída no final da tarde desta quarta-feira (15), dizendo ser "absolutamente inverídica a versão de que [Temer] teria solicitado recursos ilícitos ao ex-presidente da Transpetro".

    Acrescenta que "Sérgio Machado" é "pessoa com que [o presidente] mantinha relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade.

    O texto afirma ainda que, "em toda sua vida pública, o presidente sempre respeitou estritamente os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais" e "jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas".

    Em sua delação, Sérgio Machado, indicado para presidência da Transpetro por peemedebistas do Senado, diz que conversou com Temer na Base Aérea de Brasil, provavelmente em setembro de 2012, para acertar uma doação de R$ 1,5 milhão.

    Machado diz que "o contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial.

    REGISTROS

    Segundo assessores, Temer não se recorda ter tido algum encontro com Machado na Base Aérea de Brasília, mas lembra de tê-lo recebido no Palácio do Jaburu e no gabinete da Vice-Presidência.

    Para dirimir a dúvida, o Palácio do Planalto chegou a até mesmo pedir para a Força Aérea Brasileira registros de entrada e saída na Base Aérea em 2012.

    Em conversa com sua equipe, Temer afirmou ainda que não fez nenhum pedido de doação diretamente a Machado, lembrando que ele era ligado ao PMDB do Senado.

    Auxiliares afirmam não descartar a possibilidade de algum líder do PMDB ter feito o pedido ao então presidente da Transpetro, mas dizem que não foi Temer.

    Um amigo do presidente afirmou à Folha que o presidente, em suas campanhas, não costuma fazer pedidos diretos de doação de campanha e prefere que isto seja feito por sua equipe.

    Apesar de reafirmarem que Temer não fez nenhum pedido de doação ilícita, auxiliares estavam preocupados com a informação porque, segundo eles, ela já seria ruim num período de normalidade, mas ganha maior impacto negativo para um governo interino que precisa se firmar.

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