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    Acusado de envolvimento no petrolão, ministro do Turismo pede demissão

    GUSTAVO URIBE
    VALDO CRUZ
    DE BRASÍLIA

    16/06/2016 16h33 - Atualizado às 16h45

    Pedro Ladeira/Folhapress
    BRASILIA, DF, BRASIL, 07-06-2016, 10h00: O presidente interino Michel Temer participa, ao lado dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Alexandre de Moraes (Justiça), Henrique Meirelles (Fazenda), Raul Jungmann (Defesa), Mendonça Filho (Educação), Henrique Alves (turismo, Marcelo Calero (cultura(, dentre outros, de uma reunião sobre a organização dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    Henrique Eduardo Alves (à dir.), que deixa o Ministério do Turismo, conversa com Michel Temer

    O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, pediu demissão do cargo. Ele ligou na tarde desta quinta-feira (16) para o presidente interino, Michel Temer, e depois oficializou o pedido em carta na qual afirma que está fazendo um gesto pessoal "em prol do bem maior".

    Segundo a Folha apurou, ele afirmou a Temer que não queria criar constrangimentos.

    Ele deixa o cargo após ser citado em delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, homem visto como operador do PMDB na Petrobras.

    Em delação premiada, divulgada na quarta-feira (15), Machado afirmou que repassou ao ministro R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014.

    Na carta, Alves, filiado ao PMDB, afirma que seu partido "foi chamado a tirar o Brasil de uma crise profunda" e diz que não quer criar "constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo" do presidente interino, de quem é aliado pessoal.

    "Estou seguro de que todas as ilações envolvendo meu nome serão esclarecidas. Confio nas nossas instituições e no nosso Estado Democrático de Direito. Por isso, vou me dedicar a enfrentar as denúncias com serenidade e transparência", escreveu Henrique Alves.

    No texto, agradece a "lealdade, amizade e compromisso de uma longa vida política e partidária" ao lado de Temer. "A sua, a minha, a nossa luta continuam", finaliza.

    O agora ex-ministro é o terceiro a deixar o governo interino em 34 dias de gestão. Antes dele, foram demitidos Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), após o vazamento de gravações em que ambos criticaram a Operação Lava Jato.

    OUTRO CASO

    Na semana passada, Alves já havia sido aconselhado por aliados de Temer a deixar o posto para evitar o aumento do desgaste na imagem do governo interino.

    Conforme a Folha revelou no início deste mês, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ministro atuou para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS.

    Na manifestação à Suprema Corte, Janot afirmou que parte do dinheiro do esquema desbaratado pela Operação Lava Jato teria abastecido a campanha de Alves ao governo do Rio Grande do Norte em 2014, quando ele acabou derrotado.

    A negociação envolveria o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. As afirmações da Procuradoria constam do pedido de abertura de inquérito para investigar os três, enviado no fim de abril ao Supremo, mas até hoje mantido sob sigilo.

    No despacho obtido pela Folha, Janot aponta que Cunha e Alves atuaram para beneficiar empreiteiras no Congresso, recebendo doações em contrapartida.

    "Houve, inclusive, atuação do próprio Henrique Eduardo Alves para que houvesse essa destinação de recursos, vinculada à contraprestação de serviços que ditos políticos realizavam em benefício da OAS", escreveu Janot.

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