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    o impeachment

    'Aliança com PMDB de Temer foi meu maior erro', diz Dilma

    JOÃO PEDRO PITOMBO
    DE SALVADOR

    28/06/2016 19h49 - Atualizado às 21h57

    Vanderlei Almeida - 13.mai.2016/AFP
    Presidente afastada Dilma Rousseff (PT) no Palácio da Alvorada, em Brasília
    A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) no Palácio da Alvorada, em Brasília

    A presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), afirmou nesta terça-feira (28) em entrevista à rádio "Metrópole", da Bahia, que a aliança com o PMDB do presidente interino, Michel Temer, foi o maior erro cometido por ela em sua gestão.

    "O erro mais óbvio que cometi foi a aliança que fiz para levar a presidência nesse segundo mandato com uma pessoa que explicitamente, diante do país inteiro, tomou atitudes de traição e usurpação", afirmou.

    Segundo Dilma, essa não foi uma questão pessoal e Temer não "representa a si mesmo".

    "Não acho que o vice-presidente representa a si mesmo. O grupo que ele representa, e o encontro com Eduardo Cunha [no último domingo] mostra isso, é um grupo político. E eu errei em fazer aliança com esse grupo político", disse a petista.

    Dilma ainda afirmou que vê possibilidade de um retorno ao exercício do cargo com a votação do processo de impeachment em agosto, no Senado.

    Questionada sobre como governaria sem uma base sólida no Congresso Nacional, defendeu a necessidade de uma reforma política, mas não falou em propostas de plebiscito ou novas eleições. Disse que sua volta ao exercício da Presidência será a condição para "restabelecer a democracia no Brasil".

    Segundo a presidente afastada, "o sistema político do Brasil está em processo acelerado de deterioração". E exemplificou com o encontro Michel Temer e o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), no último domingo (26).

    Segundo ela, Temer não conseguiria governar sem conversar com Cunha. E ironizou o encontro: "Não foi sobre futebol que eles conversaram".

    CRÍTICAS AO GOVERNO

    Na entrevista, Dilma ainda fez uma série de críticas ao governo Temer. Afirmou que o presidente interino "considera a cultura irrelevante", ao tomar a decisão de extinguir o ministério. E criticou a equipe de ministros sem mulheres e negros.

    Dilma também afirmou que o novo governo apresenta uma pauta conservadora e que retira direitos dos trabalhadores.

    "Estamos vendo nesses parcos 45 dias do governo provisório, um crescente avanço para retirar direitos. Reduzem o Pronatec e agora eles estão dizendo que vão exigir 70 anos para que as pessoas tenham direito à aposentadoria", disse, numa referência à possível proposta de reforma da Previdência de Temer.

    A petista ainda citou a perícia realizada pelo Senado para afirmar não teve participação nas chamadas "pedaladas fiscais".

    E afirmou que não houve dolo na publicação dos decretos que não haviam sido autorizados pelo Congresso Nacional.

    "Eu não fui informada da suposta incompatibilidade dos decretos em relação à meta fiscal. Também neste caso esta eliminada qualquer dúvida em relação ao fato. Não há dolo, portanto, não há crime", disse.

    REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

    Dilma ainda comparou o impeachment com o processo que levou ao suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e afirmou que em ambos os casos houve uma aliança entre setores descontentes da mídia, oligarquias políticas e grupos empresariais. Também comparou o processo com o golpe militar de 1964.

    "Este [golpe] é parlamentar (...) Eles tiveram o cuidado de tentar impedir sistematicamente que se chamasse esse projeto de golpe, e não foram bem sucedidos. Porque, como a imprensa internacional não tem os mesmos compromissos das cinco famílias brasileiras [donas de grupos de mídia], ela nos ajudou muito a caracterizar como golpe."

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