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    Lava Jato mira empresários por suposta propina no FGTS

    MÁRCIO FALCÃO
    AGUIRRE TALENTO
    RUBENS VALENTE
    GABRIEL MASCARENHAS
    DE BRASÍLIA

    02/07/2016 04h09

    Dois dos maiores empresários do país, Joesley Batista, da J&F (controladora da JBS), e Henrique Constantino, da Gol, foram alvos de um desdobramento da Operação Lava Jato deflagrado nesta sexta-feira (1º) sob suspeita de pagamento de propina para obter recursos do FGTS administrados pela Caixa.

    A Operação Sépsis, deflagrada pela Polícia Federal sob autorização do Supremo Tribunal Federal, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos empresários e às empresas suspeitas de envolvimento.

    A PF também prendeu preventivamente o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no esquema de corrupção da Caixa.

    Também foi alvo de buscas o lobista Milton de Oliveira Lyra Filho, apontado como operador da cúpula do PMDB no Senado, incluindo o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL).

    As investigações relacionadas à Caixa se basearam na delação premiada de um ex-vice-presidente do banco, Fábio Cleto, afilhado político de Cunha.

    O nome Sépsis faz referência a uma infecção generalizada no organismo. A origem da Lava Jato são desvios de recursos na Petrobras.

    Cleto detalhou a existência de um esquema de pagamento de propina por empresas que buscavam recursos do fundo de investimentos do FGTS. Os repasses, segundo o delator, eram divididos entre ele, Cunha e Funaro.

    No caso de Cleto, eram feitos principalmente para contas suas no exterior.

    Sobre a J&F, Cleto narrou que recebeu R$ 680 mil em troca de um aporte de R$ 940 milhões do FI-FGTS na empresa Eldorado Brasil Celulose, integrante do grupo, e apontou Joesley Batista como participante direto das tratativas ilícitas e de ter uma relação próxima com Funaro.

    "Se há relação entre Lúcio Bolonha Funaro e Joesley Batista, ultrapassa o aspecto 'profissional' [...]. Reforça essa possibilidade o fato de que apenas um dos três sócios da J&F, Joesley, ter sido apontado como participante das tratativas de pagamento da propina pelo colaborador", escreveu o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no pedido de busca e apreensão.

    Dentre os indícios de proximidade apontados estão uma viagem de Joesley, Funaro e Cleto para o Caribe. A JBS é a maior processadora de carne bovina do mundo.

    No caso de Constantino, a empresa envolvida na acusação de pagamento de propina é a Via Rondon, da qual ele é sócio, que foi beneficiada com um aporte de R$ 300 milhões do FI-FGTS.

    Cleto contou que a solicitação para aprovação do aporte veio de Funaro em razão de uma proximidade dele com Constantino. "Ao ser questionado de quem foi cobrada a propina, Cleto afirmou não saber, mas, em vista da proximidade de Funaro com Henrique Constantino, acredita que tenha sido deste último", relatou Janot.

    Neste caso, segundo o depoimento de Cleto, ele recebeu a propina por meio da Carioca Engenharia a pedido de Cunha, em uma transferência de R$ 120 mil para uma conta sua no exterior.

    MANDADOS

    As decisões do ministro do Supremo Teori Zavascki que autorizaram esta operação foram dadas no dia 23 de junho, apesar de a deflagração ter ocorrido somente nesta sexta-feira (1º).

    Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva, contra Funaro, em São Paulo, e 19 de busca e apreensão nos seguintes Estados: São Paulo (12), Rio de Janeiro (2), Pernambuco (3) e Distrito Federal (2).

    Sob os cuidados da Polícia Federal, Funaro deve ser transferido para Brasília na próxima segunda-feira (4), por ordem de Zavascki.

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