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    'O que mais faço é discutir relação', diz Temer sobre partidos

    JOHANNA NUBLAT
    ENVIADA ESPECIAL A HANGZHOU, NA CHINA

    04/09/2016 11h44 - Atualizado às 12h22

    O presidente Michel Temer (PMDB) disse neste domingo (4) que conversa frequentemente com os demais partidos para "manter a base unida" no governo.

    "O que eu mais faço é discutir relação, faço isso permanentemente", disse, em resposta às declarações do presidente do PSDB, Aécio Neves, ao jornal "O Globo" de que o recém-empossado presidente precisa conversar com os tucanos sobre as reformas desejadas se quiser garantir a sua governabilidade.

    Greg Baker/AFP
    Brazil's President Michel Temer speaks at a press conference on the sidelines of the G20 Leaders Summit in Hangzhou, in China's eastern Zhejiang province on September 4, 2016. G20 leaders confront a sluggish global economy and the winds of populism as they open annual talks, but the long war in Syria and the South China Sea territorial dispute hang over the summit. / AFP PHOTO / GREG BAKER ORG XMIT: GB6377
    Presidente Michel Temer concede entrevista a jornalistas em Hangzhou, na China

    "Também, com uma base de quase 20 partidos, se você não fizer permanentemente, não consegue manter a base unida. Quando tivermos dois, três partidos, fica mais fácil, mas por enquanto precisamos conversar permanentemente", disse Temer, em entrevista coletiva em Hangzhou (China), onde participa da cúpula do G20.

    Ao citar também outros partidos que integram a base, disse que "com essa base sólida é que nós vamos conseguir aprovar questões aparentemente difíceis, mas que produzirão efeitos muito benéficos no futuro".

    Temer disse não se preocupar com a "compreensão" pelos partidos, "porque acho que estão todos preocupados não é em apoiar o governo, apoiar o presidente que chegou agora, definitivamente, à Presidência, mas apoiar o Brasil".

    Questionado sobre sua posição a respeito do reajuste de salários do Judiciário, em discussão no Congresso, Temer disse apenas que iria "esperar o Senado decidir".

    O projeto prevê elevar o teto dos vencimentos do Judiciário de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. O tema provocou divergências entre senadores do PSDB e do PMDB devido ao grave momento econômico que o país enfrenta —os tucanos eram contra o reajuste, e pressionaram Temer a não defender publicamente o projeto, enquanto peemedebistas apoiavam a ideia.

    "A minha tarefa será depois da avaliação do Senado. Dependendo do que o Senado decidir, vem para a sanção ou veto. Daí é que eu vou examinar (...) Vejo que há uma grande divisão no Senado, mesmo no PMDB, alguns que votam a favor, mas muitos que votam contra, ao fundamento de que não se pode ter gastos públicos neste momento."

    PRIVATIZAÇOES

    Na coletiva, Temer foi questionado sobre a intenção de privatizações de sua gestão, se ainda havia clima político para tais medidas.

    "São duas vertentes", respondeu. "Uma primeira é a desestatização, que ainda está em pé. Outra são as concessões (...) No dia 13 [de setembro] devemos anunciar aquelas matérias que poderão ser concedidas e, de igual maneira, igualmente desestatizadas. [O ministro da Fazenda, Henrique] Meirelles também está levantando dados para verificar os ativos que podemos desestatizar."

    PAPA

    O presidente comentou ainda as declarações do papa Francisco neste sábado (3) de que o Brasil atravessa um momento triste.

    Ao pedir que rezem pelo Brasil, disse Temer, o papa "revelou uma preocupação com o Brasil, uma preocupação que todos temos".

    "Acho que alegria vem pouco a pouco. Se nós pegarmos que saímos de um instante um pouco complicado, eu não tenho a menor dúvida disso. Foram três, quase quatro meses de uma problemática político-institucional que gerou conflitos", disse Temer.

    Questionado sobre se o papa estaria equivocado, o presidente rapidamente disse: "Equivocado jamais".

    Um dia depois de ter criticado as manifestações pró-Dilma, que disse serem "inexpressivas", Temer afirmou que a "manifestação democrática" é "importantíssima" e explicou sua declaração anterior.

    "Aquele movimento de junho de 2013, ele naufragou por causa dos depredadores. Vocês se lembram que, quando começaram a depredar, o movimento ficou paralisado. Exata e precisamente o que mostra que o povo brasileiro não é afeito a depredação", disse.

    "A depredação é delito, isso não é manifestação. E acho que nesse sentido que o papa, que é sábio, vendo tudo isso, disse 'orem pelo Brasil', para, quem sabe, fazer o que eu tenho pregado: vamos pacificar o país."

    O presidente ainda disse que, se depender de convite para o papa ir ao Brasil, que ele o faria.

    SAPATO

    Temer explicou ainda aos jornalistas seu momento de compras em um shopping de Hangzhou, que, considerado uma agenda privada, não foi divulgado à imprensa brasileira.

    O presidente disse ter comprado um par de sapatos para substituir o seu, que tinha quebrado.

    "Meu sapato quebrou, quebrou o salto. E, daí, tive que comprar o sapato."

    Temer, então, mostrou que calçava o produto recém-adquirido.

    Segundo um site local de Hangzhou, Temer gastou 798 RMB (cerca de R$ 388) em um par de sapatos de couro marrom da marca Satchi, que se diz inspirada em Florença, na Itália, com estilo que "mistura funcionalidade e moda, assim como [design] clássico e moderno" para o mercado chinês. A marca tem lojas nas principais cidades do país, como Beijing, Xangai, Harbin, Jinan e Chongqing.

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