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    Lava Jato

    Aliados temem que ida de Lula à África seja confundida com fuga

    CATIA SEABRA
    DE SÃO PAULO

    20/12/2017 21h43

    Ricardo Stuckert - 6.mai.2014/Instituto Lula
    Malanje - Angola, 06/05/2014 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta terça-feira (6), a região de Malanje, no interior de Angola, onde conheceu uma série de iniciativas para o desenvolvimento local: visitou o projeto Kukula Ku Maxi, de apoio à agricultura familiar no Pólo Agro-Industrial de Capanda, um centro de formação do Senai no município de Cacuso e uma usina de produção de açúcar, etanol e energia de biomassa no mesmo município. O governador de Malanje, Norberto dos Santos, acompanhou todo o dia de visita à região. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
    O ex-presidente Lula, durante visita a Angola, em maio de 2014

    Petistas têm ponderado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a oportunidade de uma viagem internacional programada para 26 de janeiro, apenas dois dias depois de seu julgamento pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

    Há pouco mais de um mês, Lula confirmou sua presença em um debate na cidade de Adis Abeba, na Etiópia, sobre ações de combate à fome. A previsão é que Lula passe dois dias na África, 26 e 27 de janeiro.

    A confirmação aconteceu antes de o tribunal marcar para o dia 24 o julgamento do recurso que apresentou contra sua condenação no caso do tríplex.

    Embora a viagem tenha sido marcada com antecedência, petistas temem que adversários usem essa agenda para alimentar rumores de que Lula pretende deixar o Brasil em caso de condenação em segunda instância.

    Dirigentes do PT receiam também que a iniciativa seja associada exclusivamente à FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), cujo diretor-geral, José Graziano, é amigo do ex-presidente Lula.

    Segundo petistas, esse seria um desdobramento de um encontro realizado em 2013 sobre segurança alimentar que foi organizado pela FAO, pelo Instituto Lula e pela União Africana. A aliados, Lula afirmou que informará a Justiça sobre esse compromisso no exterior.

    Alguns petistas têm recomendado que o ex-presidente cancele a viagem para se poupar de desgastes. Mas, segundo colaboradores, o compromisso está mantido.

    Os defensores da viagem alegam que Lula já tem recusado convites para evitar repercussão negativa. E esse foi aceito por acontecer em janeiro, um mês considerado tranquilo no mundo político. A agenda seria ainda uma oportunidade de difundir internacionalmente a tese da perseguição política.

    Para alguns petistas, porém, a manutenção da viagem poderá provocar constrangimentos, com risco de retenção de passaporte a pedido da Justiça.

    Aliados divergem também sobre a hipótese de Lula ir a Porto Alegre para assistir ao julgamento no TRF-4. Como sua presença não é obrigatória, ele tem sido aconselhado a ficar em São Paulo para se poupar de possíveis contratempos na região Sul, onde é maior a rejeição a ele.

    Outros sugerem que Lula vá a Porto Alegre para participar das manifestações, mesmo que o volume de militantes fique aquém das expectativas.

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