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    Lava Jato

    'Não é Lula no banco dos réus, é o Judiciário', diz líder do MST

    ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
    ANA LUIZA ALBUQUERQUE
    CATIA SEABRA
    ENVIADAS ESPECIAIS A PORTO ALEGRE

    22/01/2018 16h42

    "Não é Lula quem está no banco dos réus, e sim o Judiciário", disse nesta segunda-feira (22) João Pedro Stedile, coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

    O futuro do Poder Judiciário está mais em jogo do que o futuro do petista, afirmou no acampamento montado pela Frente Brasil Popular, formada por 88 movimentos sociais que apoiam Lula.

    O destino de Luiz Inácio Lula da Silva, continuou Stedile, "já está definido: ele vai ser candidato".

    Em ato no ano passado, Stedile chegou a chamar o juiz Sergio Moro, que condenou o ex-presidente a nove anos e meio de prisão, de "merdinha" e "bundão".

    Em Porto Alegre, onde Lula será julgado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o dirigente destacou o caráter pacífico das manifestações, elogiando os "companheiros brigadistas", em referência à polícia militar gaúcha.

    Na semana passada, Lula cogitava viajar à cidade, mas Stedile o desaconselhou seguir com a ideia. "Ele vir pode ser interpretado como provocação. Se pedisse minha opinião, eu diria: 'Não venha'."

    Em conversa com jornalistas, os ataques atingiram também o prefeito Nelson Marchezan Jr., tucano ligado ao direitista MBL.

    Ao pedir o apoio das Forças Armadas para ajudar na segurança da cidade, ele "criou aquela celeuma", afirmou Stedile. "Muito exagero, muita firula provocada pelo prefeitinho que temos." A solicitação de Marchezan foi negada pelo governo federal.

    O líder do MST saiu em defesa da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que disse a um site na semana passada : "Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mais do que isso, vai ter que matar gente".

    Gleisi foi infeliz, sim, ao "entender que poderia existir algum conflito". Mas o que importa é "a gente, quando diz bobagem, reconhecer".

    "No calor dos embates, vai um colega seu [outro jornalista] e fala: você viu o que o prefeito quer..." Assim é fácil reagir com o fígado. "Acho que o que ela quis dizer é que o povo brasileiro não aceitará outro golpe", afirmou Stédile.

    A poucos metros, um grupo executava uma coreografia para letra adaptada do funk "Oh Novinha". Em vez de "Ô novinha eu quero te ver contente, não abandona o piru da gente", cantavam: "Ô trabalhador eu quero te ver contente, vem defender a democracia com a gente".

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