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    Vendedor de água se veste de garçom e faz sucesso no trânsito em SP

    ELVIS PEREIRA
    DE SÃO PAULO

    22/02/2014 13h10

    Não é venda de champanhe, como pensa um motorista. Tampouco é brincadeira, como arrisca outro. Entre carros e motocicletas na rua Estados Unidos, em São Paulo, o que Rodrigo de Oliveira Silva, 28, equilibra sobre uma bandeja são garrafas de água num balde com gelo. "Sou garçom de rua", define ele. "Água, patrão? Água, meu rei?".

    Em meio a um dos verões mais quentes da história paulistana, Silva teve uma ideia para "servir motoristas de uma forma melhor". "Eu estava desempregado, aí, pensei: 'Vou inventar alguma coisa. Vou pôr uma roupa e vou para cima'."

    O ex-motoboy foi à região da rua 25 de Março, no centro, e comprou o seu kit garçom: a bandeja, o balde e a gravata borboleta preta. Tudo numa loja dessas de R$ 1,99. A calça preta, a camisa branca e o sapato ele já tinha. "As pessoas veem a sua aparência e aí já vende mais. Aparência é tudo."

    Inicialmente, ele testou sua estratégia em uma via próxima à rodovia Raposo Tavares. "Não sei o nome da avenida, rapaz. Você chega ali, tem o primeiro farol, você atravessa ali e vira as primeiras à esquerda." Porém, o cruzamento já pertencia a outro vendedor. Silva passou, então, a caçar o seu ponto. Encontrou-o há cerca de duas semanas no Jardim Paulista, zona oeste.

    De segunda a sexta, o garçom sai de casa, em Mairinque, a 71 km da capital, rumo ao semáforo da rua Estados Unidos com a alameda Gabriel Monteiro da Silva. Vai de carro. "Chego umas 10h30 e termino umas 16h30, 17h." Por dia, ele diz vender de 120 a 130 garrafas. O preço pode variar de R$ 2 a R$ 3. Mantém sempre quatro garrafinhas no balde —mais unidades cansam o braço, justifica ele.

    "Gosto de trabalhar com o público. Trabalho legal com o público, entendeu? As pessoas me tratam bem, dizem que inovei." Aos fins de semana, Silva segue para a praia, para vender balões, ou trabalha de palhaço. Separado e pai de um filho de nove anos, o garçom mora com os pais, um irmão e diz que todos em casa apoiaram a ideia dele.

    Agora, o "garçom de rua" torce para que o dias quentes continuem. "Por enquanto, está dando certo aqui", comemora.

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