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    'Quero mudar a cara do skate feminino', diz a melhor skatista 'street' do mundo

    RAFAEL ANDERY
    DE SÃO PAULO

    26/05/2013 02h30

    Um skate normal não costuma pesar mais do que 2,5 kg. O peso que Letícia Bufoni carrega toda vez que compete, contudo, é muito maior que isso. Ela tem uma missão. "Quero mudar a cara do skate feminino, provar que não é coisa só para menino", diz ela.

    Desde 2010, a paulistana de 20 anos é líder do ranking mundial feminino de skate na categoria "street", que simula obstáculos urbanos, como corrimãos e bancos, para que competidores utilizem em suas manobras.

    Em abril, Letícia conquistou sua primeira medalha de ouro em um X-Games, principal competição de esportes radicais do mundo, disputada por ela pela primeira vez quando tinha apenas 14 anos.

    Em uma área tradicionalmente dominada por homens, a atleta brasileira é vista como uma esperança de popularização do esporte entre as mulheres.

    Criada na Vila Matilde, zona leste de São Paulo, Letícia começou a praticar o esporte por volta dos dez anos, com uma prancha emprestada de um amigo de seu irmão. A carreira quase sofreu uma reviravolta quando foi intimada a devolvê-la para o dono. Nessa hora difícil, veio em seu socorro a avó, Maria, que lhe presenteou com o primeiro skate próprio.

    Depois do seu primeiro X-Games, disputado em 2007, Letícia mudou-se para a Califórnia, onde vive até hoje, em Newport Beach. Lá, divide seu tempo entre o skate, o surfe e, como gosta de dizer, uma banda de "zueira".

    Baterista do grupo As Catantes, ela sabe que a música não é sua praia. "Não sei tocar nada, e as outras meninas do grupo também não", confessa. "A banda é para se divertir, as letras falam mal de homem, é uma coisa para a gente mesmo."

    Conforme ela foi crescendo, o rótulo de garota prodígio do skate foi ficando para trás, e fortaleceu-se a imagem de musa. A carinha de anjo, o visual de "mano" e o estilo desbocado arrancam suspiros dos fãs do esporte.

    Letícia costuma usar uma bandana para prender os cabelos e o acessório já lhe rendeu comparações com Axl Rose, vocalista da banda Guns N' Roses, que também usava a indumentária na testa. "Eu era chamada de mini-Axl ou filha do Axl", conta. Ela acabou incorporando o ídolo do rock à batata da perna, em uma tatuagem. "Fiz isso para me lembrar dessa fase da vida", explica a skatista, que tem outras sete tatuagens pelo corpo, incluindo uma no lábio inferior em que está escrito "Foda-se".

    A beldade boca suja, no entanto, não quer saber de abrir sua intimidade. Perguntada se tem namorado, ela se esquiva. "Não falo disso porque tira o foco do skate, que é o que realmente importa", diz. Aos interessados, resta o benefício da dúvida.

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