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    Apple está bem sem Jobs, mas ficaria mal se perdesse designer Jony Ive, diz biógrafo

    RAFAEL CAPANEMA
    DE SÃO PAULO

    23/12/2013 03h00

    Há quem diga que a Apple esteja perdida sem Steve Jobs.

    Leander Kahney discorda: acredita que o cofundador tenha conseguido transmitir o seu legado. Para ele, a empresa ficaria mal mesmo se perdesse Jony Ive, "parceiro espiritual" de Jobs e atual vice-presidente sênior de design.

    "A Apple estaria em apuros sem Jony Ive. Jobs formou uma equipe de sucessores. Ive não fez isso", diz à Folha Kahney, autor da recém-lançada biografia não autorizada "Jony Ive - O Gênio por Trás dos Grandes Produtos da Apple" (Companhia das Letras).

    Kahney, um inglês que vive na Califórnia, como Ive, é o editor do site "Cult of Mac", especializado na Apple, e publicou em 2008 "A Cabeça de Steve Jobs".

    Responsável pelo design físico dos produtos mais importantes da Apple nos últimos anos, como o iMac (1998), o iPod (2001), o iPhone (2007), o MacBook Air (2008) e o iPad (2010), Ive ganhou ainda mais poder no ano passado, quando passou a supervisionar também o software da empresa.

    Seu primeiro trabalho na nova atribuição foi redesenhar o sistema operacional do iPhone e do iPad.

    No iOS 7, lançado em setembro, Ive aboliu as imitações de objetos e texturas do mundo real, como madeira e couro, que eram defendidas pelo então vice-presidente sênior de software do iOS, Scott Forstall, desafeto do designer demitido no ano passado.

    abr.2009/Divulgação
    Jony Ive, vice-presidente sênior de design da Apple
    Jony Ive, vice-presidente sênior de design da Apple

    Apesar de ser talvez o nome mais importante da Apple hoje, Ive não deve se tornar executivo-chefe, cargo que não lhe interessa e é atualmente ocupado por Tim Cook.

    "Ele seria um executivo-chefe terrível. Quando Steve Jobs estava vivo, Cook conduzia o dia a dia da empresa, enquanto Jobs se concentrava naquilo que gostava de fazer, que era desenvolver novos produtos com Jony Ive. A situação hoje é a mesma", afirma Kahney.

    Nos eventos de lançamento da Apple, Ive quase nunca sobe ao palco, papel que cabe a executivos como Cook e ao vice-presidente sênior de marketing, Phil Schiller.

    Discreto, o designer é mais conhecido por suas aparições nos vídeos de divulgação de novos produtos, marcadas por sua voz serena.

    Kahney escreve que Ive "resguardou cuidadosamente sua imagem de 'gentleman' inglês de fala mansa", mas que "seus duelos com Forstall e [Jon] Rubinstein [ex-executivo da Apple] revelam outra faceta mais agressiva de seu caráter: ele não tem medo de enfrentar colegas executivos".

    Mas não há no livro, por exemplo, qualquer tipo de detalhe suculento sobre as desavenças com Forstall, uma antítese de Ive até na linguagem corporal, caracterizada pelos olhos esbugalhados e pela empolgação que beirava a caricatura.

    As lacunas podem ser explicadas pelas dificuldades de biografar uma pessoa viva que trabalha em uma das empresas mais sigilosas do mundo -o autor chega a dedicar a esse problema um capítulo inteiro, intitulado "Sigilo e fontes".

    Grande parte das declarações mais reveladoras de Ive presentes no livro foi pinçada alhures, como uma em que ele reclama das vezes em que Jobs assumia publicamente o crédito por ideias suas, dada a Walter Isaacson para "Steve Jobs - A biografia" (2011), obra autorizada pelo cofundador da Apple.

    Ainda assim, o livro de Kahney é, de longe, o relato mais completo disponível hoje sobre a vida do designer.

    *

    JONY IVE - O GÊNIO POR TRÁS DOS GRANDES PRODUTOS DA APPLE
    AUTOR Leander Kahney
    EDITORA Portfolio-Penguin/Companhia das Letras
    QUANTO R$ 44,90 (328 págs.)

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