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    Não há problemas em mandar nudes, o errado é espalhar, dizem psicólogas

    DE SÃO PAULO

    06/10/2015 15h36

    Tirar fotos de si mesmo nu e enviá-las pela internet –as famosas nudes– a um pretendente ou o companheiro não tem nada de errado. É isso o que afirmaram as psicólogas Juliana Cunha, coordenadora da ONG Safernet, e Andrea Jotta, do Núcleo de Pesquisa de Psicologia de Informática da PUC-SP, nesta terça-feira (6), em debate na "TV Folha".

    O crime é divulgar essas imagens, como aconteceu na última semana com o ator Stênio Garcia, cujas imagens sem roupa ao lado da mulher foram espalhadas pela rede.

    O caso, aliás, ilustra que enviar as nudes sem consentimento é uma violência de gênero, na percepção de Cunha. Enquanto o ator se mostrou menos abalado com o episódio, a mulher, Marilene Saade, foi quem queria tomar as providências maiores contra a pessoa que pegou as imagens no celular deles e as espalhou.

    De acordo com dados da Safernet, 81% das pessoas que procuram ajuda na ONG após ter sua intimidade espalhada são mulheres.

    "A gente tem uma cultura machista, que julga quando as mulheres exibem sua sexualidade. Na internet, as pessoas xingam", diz. "Se vaza em uma cidade pequena, fica difícil até para a pessoa sair de casa. Especialmente na vida de adolescentes pode ter um grande problema", continua.

    Para elas, a primeira providência para quem for vítima de vazamento de nudes é falar sobre o problema.

    "Muitas vezes, a pessoa tem medo de a família descobrir. Então é muito importante primeiro pedir ajuda imediatamente", diz Cunha

    "Guardar para você acaba ficando pior. O ideal é usar as ferramentas na internet para conseguir parar com aquilo. Se estiver doendo muito do ponto de vista psicológico, então talvez o melhor seja procurar ajuda, para não deixar que o episódio acabe afetando futuros relacionamentos", adverte Jotta.

    O publicitário Vinicius Curi, que criou uma página no Tumblr chamada "Manda Nude", em que fazia paródias com imagens conhecidas, como o logo dos programas "Sessão da Tarde" e "Fantástico", disse que a expressão acabou deixando a prática, já antiga, em evidência.

    "Eu acho que estraguei a brincadeira. Hoje, se alguém pede para 'mandar nudes', a outra pessoa dá risada e não as envia. Teve um cara que reclamou para mim que, depois do meu tumblr, ninguém mais manda foto pelada", diz.

    CRIANÇAS

    A Safernet também constatou que há crianças mandando nudes a partir dos dez anos de idade. Para evitar essa prática, Andréa Jotta recomenda que o responsável ou o educador monitore o que elas estejam fazendo on-line.

    "Não é proibir, é acompanhar. Como qualquer criança ou adolescente, ele tem direito a erro. Mas erros podem ser cruciais nessa fase da vida", diz.

    Para ela, o uso errado da internet por parte dos responsáveis pode refletir no comportamento on-line da criança.

    No caso de uma família que compartilha uma conta para acessar a web, por exemplo, da mesma forma que os pais podem ver o que o filho está fazendo, a criança também terá acesso a tudo o que os adultos fizerem na rede.

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