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    Louvre expõe busto que pode ter sido de Julio César

    DA FRANCE PRESSE

    14/03/2012 07h15

    O ar grave, o olhar penetrante, a cabeça inclinada: no museu do Louvre, em Paris, um busto em mármore encontrado nas águas do rio Ródano, em Arles (sul da França), em 2007, e identificado como sendo de Júlio César, vem sendo motivo de muitas especulações sobre o verdadeiro rosto do vencedor da guerra da Gália.

    Apresentado como parte da exposição "Arles, les fouilles du Rhône", (Arles, as escavações do Ródano), inaugurada na última sexta-feira, a imagem transmite poder e severidade, o que convém à representação que se faz de Julio César, nascido em Roma no ano 100 a.C. e assassinado no ano 44 a.C. por conspiradores que se opunham à sua ditadura.

    O arqueólogo Luc Long, diretor do sítio de escavações subaquáticas de Arles, sentiu que se tratava de Julio César assim que a cabeça foi retirada das águas do rio. "Depois, a intuição foi confirmada", disse.

    "O estudo, que repousa sobre um conjunto de argumentos de ordem estilística, anatômica, geológica e histórica, tende a confirmar que o retrato descoberto no Ródano combina com a fisionomia muito individualizada do ditador, no momento da fundação da colônia romana de Arles", escreveu Long.

    O Louvre entra nessa investigação confrontando, de forma inédita, até o dia 25 de junho, o "César de Arles" com um busto em mármore branco de César encontrado no sítio arqueológico de Tusculum na Itália, no início do século 19 e conservado no museu antigo de Turim.

    "É o mesmo homem? Há semelhanças e diferenças, o que se parece um pouco com o jogo dos sete erros", revela Jean-Luc Martinez, diretor do departamento de Antiguidades gregas, etruscas e romanas do museu do Louvre.

    O imperador, que era considerado um homem galante, tinha uma calvície precoce, o que pode ser notado nas duas imagens, assim como as faces fundas.

    Mas o César de Arles tinha o nariz arqueado e a cabeça mais redonda. O César de Tusculum apresenta, por sua vez, uma curiosa deformação na cabeça do lado esquerdo. "Nenhum escrito sobre ele mencionou uma tal particularidade", diz Martinez.

    "CONVICÇÃO ÍNTIMA"

    O retrato de Arles é o de César? "Eu me interrogo sobre isto", comentou Martinez. "Mas minha convicção íntima é de que se trata muito provavelmente de César", acrescentou ele.

    "Por que uma outra pessoa teria tido o luxo de importar um mármore grego da Frígia (atual Turquia)?", pergunta-se Martinez.

    Do ponto de vista técnico, a escultura parece datar dos anos 50 e 30 a.C. Ora, Julio César refundou a cidade de Arles em 46 a. C., no final de suas conquistas militares na Gália. Ali ele criou uma colônia romana.

    "A imagem pode ter sido realizada por um artista grego de talento, representando um homem de cerca de 50 anos. As rugas bem marcadas falam de sua experiência, o que era uma garantia de autoridade para os romanos. O olhar de lado e a leve torção de pescoço do homem impulsionam uma dinâmica, uma convicção", interpreta Martinez.

    "Queremos que o público compreenda como se pode identificar um retrato antigo."

    A descoberta divide os especialistas. "Metade pensa que se trata de César e a outra não acha isso", resume Martinez. "Vamos esclarecer tudo durante uma mesa-redonda que vai reunir, no dia 20 de junho, no Louvre, pesquisadores franceses e estrangeiros", acrescentou ele.

    Jean-Luc Maby (14.jan.12)/Efe
    Imagem do César de Arles. Descoberto em 2007 e exposto no museu do Louvre, em Paris (França), busto intriga historiadores
    Imagem do César de Arles; descoberto em 2007 e exposto no museu do Louvre, busto intriga historiadores

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