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    Livre do 'turismo de selfie', Romênia combina história à mítica do Drácula

    LUIZ FELIPE PONDÉ
    COLUNISTA DA FOLHA, NA ROMÊNIA

    18/02/2016 02h00 Erramos: esse conteúdo foi alterado

    O mundo virou um deserto de bárbaros em busca de lazer. E, para tal, muitos invadem outros países em busca disso (e de fugir da rotina do cotidiano banal). Uma praga de gafanhotos com iPhones.

    Para quem aprecia o mundo como espaço de experiências antropológicas que nos afastam do nosso "mundinho", o mundo fica cada vez menor. Uma coisa é o viajante, outra é o turista.

    Quem pensava assim era o filósofo romeno Émil Cioran (1911-1995). Pois seu país é um dos últimos redutos para viajantes. Um reduto em meio à breguice que tomou conta da indústria do turismo.

    Mas a contradição maior de toda atividade econômica numa sociedade global de mercado é que, para sobreviver, ela precisa fazer tudo ficar acessível. E aí tudo fica, um dia, banal. Portanto, corra e visite a Romênia enquanto ela resistir à praga do "sucesso".

    Além de Bucareste, sua bela capital, a região da Transilvânia, atravessada pela cadeia de montanhas dos Cárpatos, é um lugar imperdível.

    É claro que o leitor imediatamente pensará no conde Drácula. Mas existe uma Romênia para além dele –apesar de o verdadeiro Vlad Tepes (diz-se "Tzepesh"), o empalador de turcos, ter existido e ser um herói nacional.

    Vlad nasceu no século 15 na pequeníssima cidade medieval de Sighisoara, uma pérola que mantem de pé a residência do monarca quando criança.

    MUITO COM POUCO

    Alias, a Romênia é um exemplo de como se preserva o patrimônio histórico com pouco dinheiro. A Transilvânia, colonizada desde o século 12 por saxões, é cheia de centenas de "igrejas fortificadas", nas quais a população se protegia nas incursões mortais do exército turco em solo romeno (o que durou cerca de quatro séculos).

    Um exemplo são as sete igrejas de Biertan, na estrada que leva de Brasov a Sibiu.

    A ausência de turistas bárbaros ajuda a manter o ambiente intocável. Você já imaginou entrar numa fortaleza saxônica medieval sozinho? A de Rasnov, próxima a Brasov, pode ser um desses locais.

    Que tal entrar nos cômodos um a um, sem ninguém pisando no seu calcanhar querendo fazer uma selfie? O silêncio em lugares assim é algo fascinante. Muitas vezes, é justamente ele que transporta você no tempo, mais do que pessoas tagarelando sobre datas e estilos arquitetônicos, o tipo de informação que "ilustra", mas não dura.

    Mas voltando ao Vlad. O verdadeiro Drácula foi um príncipe justo e temido. Empalava ladrões, estupradores e prisioneiros ainda vivos, sem pena. Sua fama heroica veio porque ele conseguiu, enquanto reinou na Valáquia, região que integra a atual Romênia, manter os turcos longe.

    Com um pequeno e competente exército –muito menor do que o da superpotência inimiga–, Vlad manteve os romenos livres da violência e dos impostos turcos.

    A história de Bram Stoker, do século 19, pouco tem a ver com o Vlad real –a não ser a origem na Transilvânia, as guerras contra os turcos e a crença romena em vampiros.

    O castelo de Bran, nos Cárpatos, que pertenceu à rainha Maria, heroína da Primeira Guerra Mundial, é tido como o local em que Stoker, no romance, situa a transformação do conde Drácula em vampiro. Não há evidências concretas disso, ainda que a construção seja associada ao livro por suas características.

    A abissal parede externa reconhecível após tantos filmes do Drácula é, por si só, "aterrorizante". A Romênia é, sim, uma terra de mistérios.

    *

    O QUE SABER SOBRE A ROMÊNIA

    • Moeda: Novo leu (R$ 1 = RON 0,99)
    • Fuso horário: +5 horas em relação a Brasília (já sem o horário de verão)
    • Visto: Brasileiros não precisam de visto para estadias de até 90 dias
    • Quando ir: Melhor nas estações quentes (de abril a setembro). O inverno (até março) é especialmente rigoroso
    • Como chegar: Não há voos diretos entre Brasil e Romênia; são necessárias escalas em outras cidades da Europa

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    PACOTES PARA IR À ROMÊNIA

    R$ 1.863
    Valor mínimo por pessoa para três noites em Bucareste e duas em Sibiu, em quarto duplo, com café. Sem aéreo ou extras. Reservas: hiltonworldwide.com

    R$ 2.950
    Pacote para oito noites em Bucareste, a partir de 26/4. Valor por pessoa, inclui aéreo e café da manhã. Sem extras. No Decolar.com: decolar.com

    R$ 3.279
    Valor por pessoa para seis noites na capital romena, sem refeições ou passeios. Pacote com aéreo. Na Ahoba Viagens: (11) 5594-2023; ahobaviagens.com.br

    R$ 3.874
    Valor por pessoa para 15 noites na Romênia, a partir de 10/5. Inclui aéreo, sem refeições ou passeios. No Submarino: 4003-9888; submarinoviagens.com.br

    € 3.810 (R$ 17 mil)
    Seis noites entre Bucareste, Sibiu, Sighisoara e Brasov. Por pessoa, sem aéreo, com café e passeios. Na Interpoint: (11) 3087-9400; interpoint.com.br

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