• Equilíbrio e Saúde

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    Projetos usam dança como terapia para pessoas com depressão e idosos

    PHILLIPPE WATANABE
    DE SÃO PAULO

    26/09/2017 02h02

    Patricia Stavis/Folhapress
    Grupo de pessoas com depressão usa dança como terapia complementar no tratamento da doença
    Grupo de pessoas com depressão usa dança como terapia complementar no tratamento da doença

    Em uma sala espelhada, 40 pessoas enfileiradas fazem caretas e fecham os punhos perto da cabeça: é a hora do macaco. Destinado a pessoas com depressão, o ensaio de dança é encerrado com a mímica de um leão –acompanhada de tentativas de rugidos por alguns.

    "No teatro oriental, os bichos são arquétipos gestuais humanos, eles revelam emoções interessantes", diz o coreógrafo Ivaldo Bertazzo, um dos responsáveis pelo "Próximo Passo - O Espetáculo", projeto que, usando dança como terapia complementar, busca ajudar pessoas a enfrentar a depressão.

    "Quando fazemos os bichos estamos pensando em forças primitivas. Para o público é uma expressão estética, mas internamente são músculos para serem trabalhados nas forças mais essenciais."

    O resultado dos quatro meses de ensaios será apresentado no Sesc Vila Mariana a partir de 6 de outubro.

    "A depressão traz sensação de peso, as pessoas perdem a autoestima, a corporalidade", diz Giuliana Cividanes, pesquisadora da Unifesp e consultora da Libbs, farmacêutica que patrocina o projeto. "A dança é um movimento lúdico ligado ao ritmo, à música, e atinge o corpo. É algo também feito com a mente."

    Aranaí Guarabira, 44, diz que os ensaios para o espetáculo ajudaram-na a olhar para si mesma, "rasgar o corpo e falar 'olha quem você é'", numa espécie de processo de aceitação da doença. "Eu estava bem contida, um pouco com vergonha de estar passando por isso", diz.

    Frequentadora de mais de uma década das corridas de São Silvestre, Ana Cintra, 60, se viu forçada a parar por causa de uma lesão. Usou os ensaios como "uma tábua de salvação" num momento em que começava a temer a chegada de outra crise depressiva.

    Patricia Stavis/Folhapress
    Ana Cintra, 60, que teve que parar de correr após uma lesão e que encontrou refúgio na dança
    Ana Cintra, 60, que teve que parar de correr após uma lesão e que encontrou refúgio na dança

    Carmen Santana, professora de saúde coletiva na Unifesp, afirma que estudos mostram que atividades como coral, artes plásticas e dança têm benefícios na qualidade de vida e na saúde mental

    O tratamento da depressão, diz a professora, abrange medicamentos, psicoterapia e também atividade física. Ela afirma que as três formas de terapia trabalham juntas, daí a importância de mantê-las em dia."Independente da idade, atividades criativas promovem transformação pessoal".

    Já outro projeto usa "pas de bourrée", "sous-sus" e "arabesque" para incentivar atividades sociais entre idosos. Se o leitor não está entendendo nada, calma, não precisa pesquisar. A resposta é balé.

    "Como temos uma sequência coreográfica diferente a cada aula, ela força a memorização e a capacidade de concentração. Eu percebo um grande avanço nisso nos alunos", diz Priscila Monsano, fisioterapeuta, bailarina e criadora do projeto Balleterapia.

    Monsano suavizou e redesenhou posições e movimentos do balé clássico, como grandes piruetas e giros, para possibilitar que seus 42 alunos –maior parte entre 60 e 70 anos– pratiquem a dança. "É uma forma segura para trabalhar com um organismo que já tem limitações".

    "Em geral, quando as pessoas começam a dançar, vemos que há um cuidado diferente com o corpo, mais amoroso. Aumenta o autocuidado", diz Santana, da Unifesp.

    Segundo Alexandre Busse, geriatra do Hospital das Clínicas da USP, a atividade física para idosos é importante para manutenção e desenvolvimento do equilíbrio e da flexibilidade, o que auxilia na prevenção de quedas. Além disso, pode ajudar a reduzir quadros de dor.

    Ele afirma que antes de iniciar qualquer atividade é importante a realização de uma avaliação para determinar riscos cardíacos e de quedas.
    Os especialistas também podem auxiliar na escolha de uma atividade que melhor se enquadre às limitações do idoso, como tai chi chuan e dança circular, modalidade que pode ser feita com as pessoas sentadas.

    Segundo o geriatra, esse tipo de atividade traz ganhos cognitivos. "É como se estivesse dando uma reserva para o cérebro. Se essa pessoa estiver eventualmente sendo acometida por Alzheimer, ela demora mais tempo para desenvolver os sintomas, diz Busse. "A atividade física é a verdadeira pílula do envelhecimento bem-sucedido."

    Marlene Bergamo/Folhapress
    Atividades como dança para idosos ajudam a preservar a função muscular e a adiar surgimento de demências
    Atividades como dança para idosos ajudam a adiar o surgimento de demências
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